terça-feira, 6 de setembro de 2011

Verbalizando...



Estranho. Tenho me sentido estranho, confuso, ciclotímico. Às vezes azougue, serelepe como uma lebre em um campo verdejante; em outros momentos, pesado e taciturno como um rinoceronte na savana africana, sob o sol inclemente. Tenho vontade de me livrar de absolutamente todos os móveis que tenho em casa, mas não tenho ideia do que adquirir para substitui-los. Mais provável é que permaneça por um tempo sentado em pilhas de jornais velhos para assistir à TV 'LSD' que comprei há dois meses mas ainda não instalei. Afinal, por que comprei, também não sei exatamente, já que não gosto de ver TV. É isso: desejos de consumo, não os tenho; mas gosto de viver bem, é certo. Gosto de coisas como um bom vinho, boa música, uma boa partida de futebol, uma conversa inteligente. Mas em geral, não gosto muito de gente. Considero o ser humano um prodígio da natureza mas tenho a quase convicção de que a raça humana não deu certo. Ao mesmo tempo, considero um exagero as catastróficas previsões dos ecologistas, de que a humanidade terminará por destruir o planeta. Não acho que tenhamos força para isso; é muita pretensão. A Terra já estava aqui antes de nós e continuará depois que a humanidade não mais existir, quando o planeta passar ao domínio das formigas, dos ratos e das baratas, aaargh!! Estes sim, seres poderosos, resistentes e que definitivamente, sabem viver em comunidade.

Mas afinal de contas, qual é o sentido da vida? Respondo sem medo de errar: esqueçam as teses fantasiosas do 'fazer o bem', do 'espalhar alegria', do 'plantar uma árvore'. Estamos aqui por uma simples razão natural, intuitiva e comum a todos os seres vivos, da erva daninha ao leão, da pulga às baleias: perpetuar a espécie, ter filhos. É só isso o que a ordem natural das coisas, o que a 'Mãe Natureza' espera de nós. O resto - e nesse resto, cabe tudo, de todos os deuses criados como muletas até todo o conhecimento acumulado pela humanidade em sua existência - é balela, é diversionismo. A única questão relevante é o SEXO. No final de tudo, por trás e acima de tudo, é só isso o que resta: SEXO! Estranho, tenho me sentido estranho mesmo...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Monólogo não é para fracos...



Monólogo é um negócio complicado… Em primeiro lugar, imagino, para o(a) pobre coitado(a) em cena, naquela solidão imensa do palco… a pessoa ali, jogada à própria sorte, perante olhos e ouvidos de pessoas que aguardam, que requerem, que exigem, que esperam algo que as faça rir, chorar ou ao menos, que seja interessante o suficiente para manter a concentração no que está sendo dito ou feito pelo solitário personagem à sua frente. Alguma coisa forte o bastante para que se esqueça das contas a pagar, do trânsito enfrentado para se chegar ao teatro, dos filhos que sabe-se lá onde andarão, do chefe que não reconhece o seu trabalho e principalmente, do preço pago pelo ingresso.

A coisa deve ficar muito pior quando o ator ou atriz é também o autor ou autora do texto do monólogo. Aí, não tem jeito: a responsabilidade é mesmo, indicutível e pesadamente, só dele; ou só dela. É muita coisa para um pobre mortal, né não? Por isso tudo, respeito e admiro quem se propõe a encarar esse desafio verdadeiramente incrível. Patrícia Gasppar enfrenta o touro de frente em ‘Futilidades Públicas’. E vence a batalha, com muitos méritos. Patrícia arrasa, literalmente. Interpreta aquele papel difícil, da mulher de meia idade, de vida comum, essencialmente desisnteressante e que flerta com o fracasso, com humor, garra, entrega e acima de tudo, com enorme talento. Por quase uma hora, tem o público na palma de sua mão. ‘La hermana’ é realmente demais. E pra quem me conhece, sabe que eu não diria isso se assim não considerasse.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Felicidade na Melancolia



É bom, muito bom mesmo, 'Melancolia', o filme de Lars Von Trier que ficou eclipsado pelas infelizes declarações do diretor em Cannes e pior, deu chance para que o enfadonho e cafona 'Árvore da Vida' levasse a Palma de Ouro. Felizmente a poeira baixou e dá pra assistir 'Melancolia' com distanciamento daquele quiprocó. O filme consegue expressar, com todo o peso e a beleza trágica inerentes ao sentimento, o estar melancólico, o ser melancólico, Em 'Melancolia', tudo parece 'normal' e de repente... o estranhamento de tudo, o sem sentido de tudo, o desânimo... a cena em que o noivo mostra o projeto de futuro com o lindo pomar de maçãs - e ela esquece no sofá. Quem conhece a melancolia, sabe muito bem o que é isso.

O filme é assim, mas não é deprimente. Ou ao menos não foi, pra mim. Impõe-se com força, acima de tudo, o aspecto transcendental e mágico das verdadeiras obras de arte. No roteiro, nas imagens, nas atuações do elenco, os destaques são muitos. Interessante, por exemplo, o fato daquela que parecia a mais 'maluca' e desequilibrada, Justine (Kirsten Durst), ser a que encara o iminente fim com muito mais dignidade e altivez. Sucumbe, por sua vez, a aparentemente 'certinha' Claire (Charlotte Gainsbourg, minha ídola!), cuja personalidade obsessivamente controladora fica evidente no começo da história, quando organiza a festa do malfadado casamento. Trabalho sensacional das duas atrizes, e ainda, as brilhantes participações especiais de John Hurt e da outra Charlotte (a maravilhosa Rampling), como os pais da noiva.

E pra terminar.. para um apaixonado por mulheres como eu, a cena da Kirsten Durst tomando banho de lua (ou talvez, banho de'melancolia'), toda nua, é espetacular.

domingo, 21 de agosto de 2011

A Árvore da Enganação



É uma grande enrolação, uma enorme babaquice, um descomunal pé no saco, o festejado 'Árvore da Vida', filme dirigido por Terrence Malick. Pra mim, é um absurdo quase inexplicável o fato dessa pretensiosíssima produção, vazia como um bolo de noiva de mostruário de confeitaria, ter ganho a Palma de Ouro em Cannes. E vi um espetáculo igualmente costrangedor do lado de cá da tela, ao perceber a maior parte do público, acompanhando aquele amontoado de chavões em estado de catatônica e bovina reverência.

Alternam-se imagens estilo Discovery Channel de explosões vulcânicas, de ondas do mar, do universo em movimento, e até uma tosca recriação da época dos dinossauros, com cenas do dia-a-dia de uma família americana entre os anos 40 e 60. As imagens grandiosas são lentas, arrastadas, e acompanhadas por música de igreja - formando um conjunto apelativo e interminável. E a tal família, liderada por Brad Pitt, de cabelo escovinha e óculos fundo de garrafa... bem, é mais uma daquelas famílias americanas caretas e religiosas por obrigação, onde uma ou várias tragédias parecem o tempo todo prestes a acontecer. Ok, mas já vimos isso muitas vezes no cinema americano - e na maioria delas, em abordagens e com resultados artísticos muito superiores aos de Malick.

Sucedem-se os chavões imagéticos e as 'mensagens' da profundidade de um pires. A participação de Sean Penn - que talvez seja, hoje, um dos maiores atores em atividade - é pequena e beira o ridículo, evidenciado nas poucas e pobres palavras que pronuncia e pela única e aparvalhada expressão que apresenta no decorrer de toda a sua ' atuação'. E dá-lhe clichê: sim, existe a cena do sujeito de terno e gravata caminhando sem rumo pelo deserto, aquela outra em que o cara atravessa um tipo de portal, imagens de tubarões contra a luz e de ensolarados campos de girassóis. Mas o 'melhor' está reservado para o final, na manjadíssima cena de uma multidão de pessoas vivas e mortas caminhando ao pôr do sol em uma praia. É... parece que a estética 'Chico Xavier' atravessou fronteiras e convenceu até os jurados do Festival de Cannes. Talvez o errado seja eu...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sempre ela


"A Origem", de Christopher Nolan. Filme-cabeção, onde um sonho invade outro sonho que conecta-se com outro sonho e assim por diante. Uma confusão danada, recheada de belos e impressionantes efeitos especiais. E tem a boa atuação de Leonardo di Capprio e a beleza de Marion Cotillard. Achei um pouco longo demais, mas gostei do filme. Nolan, que já havia surpreendido com o último 'Batman' (aquele, que deveria se chamar 'Coringa' pelo espetacular desempenho de Heath Ledger), acertou a mão mais uma vez. E nos psicologismos que permeiam 'A Origem', o que fica, acima de tudo, antes de mais nada e no final de tudo? A culpa. Aiaiai...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Filha de peixe... peixão é!


A bela aí de cima atende pelo sugestivo nome de Anoushka. É filha de Ravi Shankar e também sitarista. Fera. Toca pra cecete! Já sabia dela, mas nunca havia ouvido sua música. Com muito atraso, assisti dia desses ao dvd 'Concert for George', que registra o show em homenagem ao ex-beatle, acontecido um ano após sua morte, em 2002 no Royal Albert Hall de Londres. Foi um bonito espetáculo, com momentos realmente muito bons de Eric Clapton, de Tom Petty, de Jeff Lynne e de Paul McCartney.


Mas a abertura ficou a cargo da música indiana, tão amada por George. Anoushka estraçalha na sítara e depois ainda rege uma orquestra que junta músicos e instrumentos tradicionais da música indiana a um conjunto de câmara de violinos, violas e violoncelos, em uma peça especialmente escrita para a ocasião por Ravi Shankar. É sensacional, belíssimo mesmo. Fica a dica!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dez falsos motivos para não votar na Dilma


Estava pensando em fazer um post contra-atacando as razões que mais tenho ouvido sobre 'Por que não votar na Dilma'. Demorei, dancei. Jorge Furtado fez exatamente isso em seu ótimo blog - e provavelmente, muito melhor do que eu poderia fazer. Não me restando outra alternativa, reproduzo abaixo o post do Jorge:

Dez falsos motivos para não votar na Dilma
por Jorge Furtado em 25 de julho de 2010

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.

Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)

Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.

Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.

1. “Alternância no poder é bom”.

Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.

Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.

3. “Dilma não é simpática”.

Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.

4. “Dilma não tem experiência”.

Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

5. “Dilma foi terrorista”.

Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano”.

Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

7. “Serra vai moralizar a política”.

Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista - no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC - foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

8. “O PT apóia as FARC”.

Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?

9. “O PT censura a imprensa”.

Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.


10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.

Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.

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(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.

Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões

Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares

Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões

Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos

Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78

Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de dólares positivos.

Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%

Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%

Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%


(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:

José Serra começou sua campanha dizendo: "Não aceito o raciocínio do nós contra eles", e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Para sempre, Paulo Moura


Paulo Moura: grande saxofonista, clarinetista, arranjador e compositor brasileiro. Por mais de 60 anos, trafegou com igual maestria pelo erudito e pelo popular - foi solista da Orquestra Sinfônica Brasileira (com apenas 19 anos), foi integrante do seminal Bossa Rio de Sérgio Mendes, tocou no mítico concerto que lançou a Bossa Nova no Carnegie Hall de Nova York, gravou na década de setenta o espetacular 'Confusão Urbana, Suburbana e Rural', dividiu palcos e estúdios com Raphael Rabello, Clara Sverner, Yamandu Costa e tantos outros. Era respeitadíssimo tanto nas gafieiras da Lapa carioca quanto nos círculos mais exigentes do jazz internacional.

Há cerca de dez anos, tive a oportunidade de escrever o texto do livreto de um belíssimo CD de Paulo, gravado na Europa e pouquíssimo conhecido no Brasil. E uns dois anos atrás, colaborei com um amigo na produção de um show de Paulo Moura com Armandinho Macedo (do Trio Elétrico baiano) no Parque da Aclimação, em São Paulo. Designado para busca-lo no hotel, encontrei o mestre tocando lindas melodias na clarineta, sozinho em seu quarto. 'Vestia' apenas um chapéu de palha. Discursou lindamente, por longos minutos, sobre a obra e a importância de Pixinguinha. Paulo Moura, o excepcional músico, humilde como só os grandes sabem ser; e generoso ao extremo, como só aqueles de alma elevada conseguem. Foi a última vez que o vi.

Na Folha Ilustrada de hoje, capa e página 3 inteiras com a novata cantora pop/soul americana Janelle Monáe. Para Paulo Moura? Matéria de meia página no interior do caderno. Apesar do bem escrito texto do sempre bom Carlos Calado, a 'reportagem' da Folha não se preocupou em ouvir ninguém do meio musical/cultural a respeito da morte do grande artista. E tampouco fez uma cronologia de seus discos ou qualquer avaliação de sua trajetória. É por coisas como essa que jamais voltarei a trabalhar na chamada 'grande imprensa'...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Zecazuza - rock'n roll na veia!



Tem sido difícil atualizar o blog... Falta de tempo não é desculpa, já que nunca tive tempo e sempre consegui manter uma certa regularidade. Acho que a coisa dos blogs deu uma esfriada mesmo - por conta do Facebook, talvez, ou por um próprio desgaste do formato, não sei...

Mas ontem, ia escrever alguma coisa sobre os 20 anos da morte do Cazuza. E como tem acontecido nas últimas semanas, pensei um pouco, elaborei na mente o que escreveria mas acabei, mais uma vez, não fazendo nada. Hoje, abro o jornal e fico sabendo da morte do Ezequiel Neves. Numa louca coincidência, nosso querido Zeca foi embora na mesma data que o Cazuza!

Conheci ambos nessa fase da foto acima, quando trabalhei na Som Livre. Tempos de lançamento do LP 'Maior Abandonado', do Barão Vermelho - e logo depois, do solo 'Exagerado'; tempos de algumas noitadas e loucuras insanas e inconsequentes compartilhadas junto a essas duas grandes figuras. Escracho, finas ironias, irresponsabilidades, gargalhadas, noites intermináveis de esbórnia e muito rock'n roll. Acima do estilo musical, Zeca e Cazuza vivenciaram uma 'atitude' rock n'roll.

Antes do Barão, conheci Zeca como leitor de suas críticas musicais no Jornal da Tarde. Grande crítico, profundo conhecedor do universo pop/rock, ótimo texto. Foi meu mentor, meu ídolo - Ezequiel Neves, como se dizia na época, 'fez a minha cabeça', abriu a minha mente para a cultura pop e o rock dos Stones, de Neil Young, do Cream, do Traffic, e de tantos outros.

Vá em paz, mestre.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Pensamentos Livres - Copa


- O Brasil tem sim boas chances de se dar bem nessa Copa. E não só porque não existe nenhuma equipe que lhe seja claramente superior, mas principalmente porque o time apresenta evolução de uma partida pra outra e porque é uma das poucas - ao lado da Argentina - que possui 2 ou 3 jogadores que podem fazer a diferença por conta do talento individual. Ontem, por exemplo, Robinho não jogou praticamente nada, mas apareceu o talento definidor de Luis Fabiano. Este, em plena forma, é o melhor centroavante do mundo - superior a Drogba, a Rooney, a Eto'o ou a qualquer outro. E surgiram também lampejos do craque que o Kaká ainda é. Se ele fizer 2 ou 3 jogadas certas por jogo, já será o suficiente pro Brasil chegar longe nessa Copa.

- E o Dunga continua dando vexame atrás de vexame. Ontem, na coletiva de imprensa após o jogo, foi lamentável e ridícula, para dizer o mínimo, a destemperança, a grosseria do cara contra o comentarista Alex Escobar, da TV Globo. Vexame internacional, hoje comentado em diversos sites da mídia internacional. E temo que isso só tende a piorar: à medida que o time vai se acertando e vencendo, o tosco treinador deve ficar ainda mais cheio de si, mais vingativo e mais agressivo. Uma lástima, sem dúvida alguma.

- Vamos ver o que a Espanha (ridiculamente na posição numero 1 do ranking da Fifa) ainda vai fazer, mas não boto fé. Aliás, as grandes seleções européias vão muito mal: Itália teve um empate ridículo com a Nova Zelândia, a França 'agoniza em praça pública', a Inglaterra jogou um futebolzinho horroroso contra a Argélia, e mesmo a Holanda, em quem eu acreditava, fez só o suficiente pra vencer seus pobres adversários até agora - mais uma vez, não deve ir muito longe. Resta a Alemanha, que muitos babaquaras de plantão incensaram após a goleada da estréia (onde jogaram contra 'ninguém'), mas que também não me convence.

- E com a derrocada previsível de africanos e asiáticos, devem sobrar os latino-americanos como favoritos ao título. Brasil, Argentina, México, Uruguai e Chile. Nessa ordem. O Chile é tecnicamente melhor que o Uruguai, mas não parece ter equilíbrio emocional e 'camisa' pra ir muito longe, além de confiar no cai-cai bundamole do Valdivia, que seria bom se jogasse metade do que pensa que joga; O Uruguai tem uma raça impressionante, tem em Lugano um autêntico líder, emocional e cuja competência costuma crescer em jogos decisivos, conta com um bom atacante, Diego Forlan, mas tem um meio de campo pouco criativo; o México está surpreendendo e creio possuir boas chances de fazer a melhor Copa de sua história. E existe uma boa possibilidade da final ser entre Brasil x Argentina. Seria espetacular em todos os sentidos. Uma partida com altíssima carga de adrenalina, turbinada por quase inacreditável rivalidade. E uma final como essa teria, sim, todas as condições de transformar a Copa da África do Sul em uma das mais marcantes de todos os tempos. Incrível, não?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Pensamentos Livres Pré-Copa

- Ok, não vou discutir a qualidade do Kaká como jogador. Desde a sua estréia no São Paulo, quando fez os 2 gols do time na virada da decisão do torneio Rio/SP, contra o Botafogo no Maracanã, sempre demonstrou ser um daqueles raros futebolistas bem acima da média. Mas cada vez me irrita mais a sua postura de bom moço, sua devoção cega à famigerada Renascer, essa mal disfarçada lavagem de dinheiro em favor do bispo (???!!!) Estevam e da bisca Sonia, e ainda por cima, a mulherzinha bunitinha pastorinha do kakazinho maridinho ideal. Que todos eles peguem um barquinho com uma bandeirinha do brasil e o dunguinha de capitão e vão todos para a putaquiospariu!!

- Outra: tá certo, o tal do Mugabe do Zimbabue é um ditador féladaputa e tudo o mais, mas qual é o governante - no Brasil ou fora daqui - que não faz uso político do esporte? E todo esse discurso dos Trajanos da vida, contra a ida da Seleção ao país do ditador, perde o sentido quando a gente vê a alegria do povo pela presença dos 'reis da bola'. Por que privar aquele povo já tão sofrido, de uma alegria dessas? Vamos puni-los ainda mais? Já não basta terem que se submeter ao tirano?

- Por outro lado, concordo com as críticas em relação ao amistoso de ontem, na Tanzânia. Tirar o time do frio e dos 1700m de Johannesburgo, pra viajar 6hs de avião (ida e volta) e jogar no calor tropical de Dar Es Salaam (sempre adorei esse nome!!) é mesmo um absurdo. Alguém tinha que cobrar explicações do seu Teixeira, futuro presidente da FIFA (aiaiai...).

- Aliás, não vi o jogo de ontem, mas li os comentários de que Josué e Ramires foram muito melhores do que os titulares Gilberto Silva e Felipe Melo. Nenhuma surpresa. Já que o bundão do Dunga não levou Hernanes e Elias (minha dupla de volantes favorita pra Seleção), qualquer coisa é melhor do que os escolhidos pelo beligerante, rancoroso e azedo técnico da Seleção.

- Por toda a história de luta e sofrimento, pelo Mandela, pela cultura riquíssima, é lógico que gosto da África do Sul, mas simplesmente ME RECUSO a torcer por qualquer time dirigido pelo panaca do Parreira...

- E arrisco aqui meus favoritos: Brasil (sim, apesar de tudo, a gente sempre acredita...), Holanda (se o Robben conseguir jogar), Argentina (por causa do ótimo ataque e apesar do Maradona) e Inglaterra (por causa do Lampard, do Gerrard e do Rooney).

- Pra finalizar em alta, olha só essa foto do Pelé! Cacilda, que impulsão!!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Olha o Camarão aí, gente!!


Em Las Vegas, no meio da minha programação obrigatória de trabalho, lá estava: Palestra de James Cameron. Sim, o recordista de bilheteria, multimilionário cineasta, agora arranjou mais uma maneira de encher o cofrinho, participando de eventos corporativos para executivos babaovo (ou nem tanto) e satélites de (pseudo) celebridades. Falaria sobre o uso da tecnologia em seus filmes, o Cameron. E falou. E falou, E falou. Por uma hora sem parar.

Foi um discurso monocórdico e auto-elogioso, ressaltando a sua própria 'genialidade' como gerador de dólares, a sua capacidade de superar recordes atrás de recordes, etc. Até aí, tudo bem... não daria pra esperar muito além disso de um americano 'vitorioso' falando para uma platéia de pessoas que, em geral, valorizam exatamente isso: a competência e a qualidade humana medidas pela conta bancária. Mas eu, talvez na verdade o mais babaca daquele enorme auditório com 6 mil pessoas, esperava que Cameron mostrasse um pouco dos 'segredos' tecnológicos de 'Terminator', do 'Titanic' e do 'Avatar'. Mas não: nenhum 'making off', nem mesmo um trailer, nem uma mísera foto - nenhuma imagem!

E ainda por cima, em virtude da fila de perguntadores inscritos na parte final da palestra, não tive chance de fazer a pergunta que queria: "Seu Cameron, diz aí; vc esteve recentemente na Amazonia e disse, entre outras obviedades, que filmaria o 'Avatar 2' na selva brasileira. Gostaria de saber se isso é mesmo verdade ou se não seria apenas uma frase de efeito pra gerar um fato midiático local. E se é mesmo verdade, já que vc acabou de dizer que 95% do Avatar foram criados no computador, que diferença faria filmar esses 5% restantes na Amazônia ou nos jardins da sua mansão em Beverly Hills?"

sábado, 8 de maio de 2010

Assustador...

Nunca tinha ouvido falar dessas trigêmeas, as Ross Sisters. Daí uma amiga postou esse video aí embaixo no Facebook. Trouxe pra cá porque achei incrível. A filmagem é de 1944. Fosse hoje, com certeza diria que era armação de computador. Acho que fiquei com medo das moçoilas...

domingo, 2 de maio de 2010

Os Velhos Baianos



Com atraso, assisti nos últimos dias aos DVDs mais recentes de Gil e Caetano: 'Bandadois' e 'Cê', respectivamente. E gostei de ambos. Gil, depois da temporada 'no inferno burocrático' do Ministério da Cultura, e depois de enfrentar sérios problemas nas cordas vocais, retornou com estilo e elegância. Em formato acústico/minimalista, emoldurado por inspirada iluminação e um palco de concepção simples e eficiente, 'Bandadois' destaca a qualidade do violão de Gil (acompanhado na maior parte das músicas por seu filho Bem, de toque discreto e competente) e um repertório muito bem escolhido, com direito a inspiradas releituras de 'Esotérico', 'Andar com Fé', 'Refavela', 'Lamento Sertanejo' e 'Tempo Rei', além das menos conhecidas e igualmente superiores, 'A Linha e o Linho', 'Metáfora', 'Banda Um', 'La Renaissance Africaine' e 'A Raça Humana'. Há espaço ainda para algumas canções da (boa) nova safra do compositor, como 'Máquina de Ritmo', 'Quatro Coisas' e 'Pronto pra Preto', além da correta participação de Maria Rita na bonita recriação de 'Amor até o Fim'. Já o DVD de Caetano traz a gravação do show que se seguiu ao lançamento de 'Cê', onde o autor configura mais uma polêmica guinada em sua carreira - optando por um formato de rock 'sujo', ruidoso e urgente - proposta que foi aprofundada (e aperfeiçoada) no CD mais recente, 'Zii e Zie' . O DVD 'Cê' é muito bom - traz o cantor mais uma vez esbanjando competência em 'Não Me Arependo', 'Homem', 'Rocks' e 'Odeio', pra citar só algumas. E pelo menos um momento de suprema iluminação, na interpretação da pouco lembrada 'O Homem Velho', originalmente gravada no distante LP 'Velô'. E além de tudo, 'Cê' revela a excelência de um novo grande guitarrista: Pedro Sá.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O Pai, o Filho e o Espírito Santo


A Santíssima Trindade do futebol reuniu-se no Café Maravilhas, em Madri, para uma publicidade das bolsas Louis Vuitton. As fotografias foram feitas pela genial Annie Leibovitz. A campanha estrará nas revistas em junho, durante a Copa do Mundo da Africa do Sul. A Agência responsável demorou um ano para acertar cachês e datas com os astros. O que terá sido mais difícil, a grana ou a agenda? E qual deles terá cobrado mais mais?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Luzes, câmera... e inação


Luiz Felipe Pondé é (mais um) colunista da Folha que adora causar polêmica. Semana passada, mexeu em um vespeiro ao comentar que o cinema brasileiro é incapaz de fazer filmes como o argentino ‘O Segredo dos Seus Olhos’, que recentemente ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Pondé argumentou que o cinema nacional limita-se à favela e à violencia, sendo ainda refém da ‘estética da fome’, de uma visão ‘idealizada’ da pobreza que foi consagrada pelo cinema novo e especialmente, por Gláuber Rocha. No decorrer de toda a semana, choveram cartas na redação do jornal, contra e a favor das posições defendidas pelo colunista.

Embora eu mesmo já tenha incluído o Gláuber em uma das ‘Galerias dos Chatos’ que postei aqui no blog, estou longe de concordar com o Pondé. Em primeiro lugar, não acho que o Gláuber tenha inaugurado uma ‘estética’ e nem mesmo que tenha o poder de influenciar o cinema brasileiro até hoje. Por outro lado, nossa produção (nossa não, ‘deles’, já que não sou cineasta) inclui também a recente ‘estética da TV’ – perpetrada pela Globo Filmes em sucessos como ’Se Eu Fosse Você’ (1 e 2), ‘Os Normais’, ‘A Grande Família’ e o recente ‘Chico Xavier’, entre tantos outros. Ontem, assisti na TV a mais um exemplar dessa categoría, o babaquara e rastaquera ‘Mulher Invisível’ - que entre uma bobagem e outra, desperdiça o enorme talento de Selton Mello. O cinema brasileiro mais ‘independente’ (se é que podemos assim chama-lo) também é capaz de produzir boas surpresas, como ‘O Cheiro do Ralo’ e os documentários do Eduardo Coutinho, por exemplo. E mesmo a Globo Filmes, de vez em quando parece distrair-se e deixar passar uma pérola pouco vista como ‘Tempos de Paz’, dirigido pelo mesmo Daniel Filho do ‘Chico Xavier’ – que não vi e nem pretendo. Em suma: Pondé força a mão, exagera certas coisas e omite outras. Tudo para criar uma polêmica. Isso é jornalismo?