segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dica do Dia


Lançamento do livro do André Midani, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. André é uma figura histórica do mercado do disco no Brasil (quando havia disco e mais que isso, havia mercado...). Dono de uma história rocambolesca que um dia ainda vai virar filme, André vagou menino pela Europa ao lado da família em uma carroça de ciganos, 'driblando' os nazistas. Sabe-se lá como (ainda não li o livro...), chegou ao Brasil e começou a trabalhar carregando caixas de discos. Apaixonou-se pela música brasileira e acompanhou tudo - muitas vezes como protagonista, ainda que no 'backstage': bossa nova, os festivais, elis regina, o tropicalismo, a jovem guarda, mutantes & ritalee, a volta dos baianos, o rockbrasileiro de titãs e lulu, tudo, tudo.

Foi presidente da Philips/Polygram e depois da WEA (Warner/Elektra/Atlantic), onde foi meu chefe. Figuraça, imprevisível, explosivo, engraçado, inteligente, de humor corrosivo e com atitudes e declarações no mínimo polêmicas e controversas. Mais recentemente, depois de se aposentar como presidente da Warner International, colocou muita grana em projetos sociais no Rio e produziu o 'Ano do Brasil na França' para o MINC de Gilberto Gil.

'Música, Ídolos e Poder: do Vinil ao Download' é o nome do livro de André Midani. Acho que não há ninguém, no Brasil, que poderia escrever com mais propriedade sobre esse tema.

Update: Caetano Veloso, que agora tem um blog bem interessante (http://www.obraemprogresso.com.br/), também comentou sobre o livro:

Estou lendo o livro de André Midani, “Música, ídolos e poder“, e estou impressionado. É um livro bom, escrito por um homem incrível, sobre uma vida improvável. Muito bonito o destino desse homem que eu amo tanto e que foi tão importante para mim. Independentemente disso, é um livro para ser lido por quem quer que se interesse por música no Brasil e tenha prazer em ver o assunto olhado de uma perspectiva não provinciana, de uma larga visão histórica. Da chegada dos aliados na Normadia aos downloads e aos piratas, uma personalidade singular, sofrida e curtida (nos dois ou mais sentidos) faz a gente aqui se sentir real, possuidora de um tamanho real.

domingo, 12 de outubro de 2008

Musas de Qualquer Estação


Musa absoluta do genial Ingmar Bergman, Liv Ullmann esteve em São Paulo para abrir uma mostra da Cinemateca Brasileira em sua homenagem. Sempre me fascinou a beleza escandinava, misteriosa, de Liv em atuações sutis e expressionistas - onde os olhares e silêncios dizem mais do que as palavras - nos filmes 'Gritos e Sussurros', 'A Paixão de Anna', 'Persona' e 'Cenas de um Casamento', para citar só alguns. E Liv soube envelhecer linda, com extrema dignidade, como se comprova na matéria abaixo, feita pelo Gabriel (meu filho) a partir da coletiva que a atriz concedeu à imprensa paulista, semana passada. A matéria foi originalmente publicada no Portal Onne (http://onne.com.br/conteudo/6129/dois-segundos-al-m-do-poss-vel).

Dois segundos além do possível
por Gabriel Rocha Gaspar
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Na coletiva de imprensa, ninguém queria perguntar a Liv Ullmann sobre Ingmar Bergman. A atriz/diretora/escritora teve sua trajetória estreitamente ligada à do gênio sueco com quem, além de ter feito alguns dos mais importantes filmes do Século XX – “Persona” (1966), “A Paixão de Anna” (1969) e “Cenas de Um Casamento”(1973), entre outros –, teve uma filha. Jornalistas hesitavam porque se supõe que Liv deve estar mais do que cansada de responder sobre seu ex-companheiro, amigo e ídolo. E, principalmente, porque ela vem ao Brasil para falar dela própria.

É que Liv é homenageada na Cinemateca com a mostra “Liv Ullmann – A Atriz, A Diretora e Seus Filmes” e com a primeira versão em português de seu livro autobiográfico “Mutações”, de 1975. Sorte deste repórter do ONNE que, sendo o primeiro a citar o diretor, foi o único a suscitar olhos marejados, acompanhados de um sorriso encantador. “Há dois anos (pouco antes da morte de Bergman, em junho de 2007), conversamos ao telefone e eu disse: ‘é tão incrível. Todo mundo com quem eu falo me diz tantas coisas lindas, só porque eu trabalhei com você,” ela contou. A belíssima resposta: “A gente compartilha o mérito. Você é o meu Stradivarius (violino mais precioso do mundo)”.

Essa foi uma entre muitas falas apaixonadas. Na verdade, suas primeiras palavras já foram uma declaração de amor (às avessas, há de se dizer). O cônsul geral da Noruega, Jens Olesen, abriu a conversa apresentando o programa da mostra, que inclui coquetéis com bebidas e comidas típicas daquele país – leia-se akvavit e bacalhau. “Nós adoramos”, ele disse, “que os brasileiros adoram e que Liv Ullmann adora”. Ela tratou de dizer, rapidamente: “Eu não gosto!”. Rendeu gargalhadas e a simpatia dos entrevistadores.


Foto: Rodrigo Schmidt)

Seguiu-se a essa, nova paixão. Dessa vez, pela... Velhice?! Dos dois lados de Liv, cartazes mostravam uma foto sua, “datada de 38 anos atrás”, segundo ela própria. “Não gostei porque essa menina não sou eu; nem me lembro de algum dia ter usado esse chapéu!”. Aos 69 anos, essa menina se diz orgulhosa da idade. “Hoje em dia, parece que é vergonhoso ficar velho. A experiência nos permite encontrar novos caminhos para onde seguir”.

Com toda essa disposição intelectual, não é de se admirar que Liv critique um certo cinema atual, que induz o espectador à preguiça. “Para mim, algumas das melhores experiências da vida aconteceram dentro de uma sala escura de cinema”. Quando criança, na Noruega, ela vivia em um ambiente muito protegido, cercada de família, amigos e vizinhos próximos. “Umberto D”, “Ladrões de Bicicleta” e “Milagre em Milão”, filmes do italiano Vittorio de Sica, foram a chave de um vasto universo além-muros.

Foram os primeiros passos de uma carreira que moldou o cinema no Século XX. Com meros 17 anos, Liv Ullmann estreou nas telas na comédia “Fjols til Fjells” (Tolos na Montanha, em tradução livre), de Edith Carlmar. Dois anos depois, em 1959, protagonizou “Ung Flukt” (A Garota volúvel – também de Carlmar). Antes dos 20, era uma celebridade local. “Ser famosa em um pequeno lugar é o mesmo que ser famosa no mundo inteiro. Significa ser duas pessoas: alguém que todos conhecem e alguém que é normal, que ninguém conhece. Essa segunda pessoa foi quem escreveu livros”.

Por isso, Liv se diverte com o fato de ter se tornado um ícone da libertação da mulher com “Mutações”. Diz que nem sabia que era feminista. Na verdade, ela vê todos como iguais e até tira sarro da alcunha. Conta que, quando fez Casa das Bonecas na Broadway (1975), chegou a encarar uma face furiosa do feminismo nova-iorquino. Na peça, Liv vivia Nora, uma mulher que larga o marido em nome da liberdade. “Quando eu subi no palco, na pré-estréia, as mulheres vibraram. Quando o pobre coitado que fazia meu marido (Sam Waterston) abria a boca, choviam vaias”. Waterston começou a ficar nervoso antes da apresentação e Liv recomendou ioga ao companheiro. Resultado: ele torceu o pé e teve de usar uma bengala na estréia. Acabou dando certo. O público ficou com pena dele e as comemorações pelo pé-na-bunda diminuíram. “Durante o resto da temporada, meu marido usou muletas.”

Ingmar Bergman

“Ele se sentava ao lado da câmera, escutava e olhava tudo. Era como um amante de fato, alguém que presta atenção a cada mínimo detalhe do que você faz. Para o apaixonado, você faz o seu melhor: você sorri melhor, chora melhor, você é mais para sua interpretação”, conta Liv. Quando foi filmar Sarabanda (2003), Bergman estava longe dos sets havia quinze anos. Novos métodos de filmagem, “aos quais Ingmar não estava acostumado nem se acostumaria” impediam que ele ficasse colado à câmera como sempre fez. “Perdi aquele espectador privilegiado, fiquei perdida.” Quando ele disse ação, o que aconteceu? “Tudo foi muito bem. Nos comunicamos por sinal de fumaça.”

Não foi à toa que naquela conversa, uma das últimas, Bergman disse que Liv Ullmann era seu Stradivarius. Dessa relação entre o maestro e sua maior solista nascia a arte. Nas palavras dela própria, o grande artista é alguém que puxa um pouquinho o limite da verdade. “É como aquela bailarina que salta e consegue ficar dois segundos além do possível no ar”.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Pillar, a Patrícia


Nestes tempos de sérias restrições orçamentárias, me sobrou a diversão noturna de 90% da população brasileira: a telenovela. Pois é gente, tenho assistido 'A Favorita', o folhetim global que vem logo depois daquela porcaria chamada 'Jornal Nacional'.

A tal novela possui todos os clichês do gênero, além da ridícula e recorrente piada de mau gosto da TV Globo, que adora mostrar uma estranha Sâo Paulo onde praticamente todos falam como se estivessem em Ipanema. Mas como quase tudo (menos os discos do Fagner ou do Oswaldo Montenegro), a novela também tem algumas coisas boas. Uma delas é a Patrícia Pillar no papel de cruel assassina.

Salvo engano, trata-se da primeira vez que a Sra. Ciro Gomes (putz, que mau gosto!) faz uma vilã. E vem se saindo a contento, explorando bem a sua beleza física para criar um personagem cujo olhar frio e cortante consegue ser estranhamente atraente. Chega a ser uma surpresa: afinal, a estréia de Patrícia Pillar como atriz foi um completo desastre.

Em 1983, sua carinha bonita foi vista pela primeira vez em 'Para Viver um Grande Amor', adaptação para o cinema, dirigida por Miguel Faria Jr., para 'Pobre Menina Rica', de Vinícius de Moraes & Carlos Lyra. Na produção, a atuação de Patrícia faria qualquer pessoa supor que o máximo que ela conseguiria, dali por diante, seria o papel de árvore em uma montagem infantil de Branca de Neve, em escola de bairro. Para se ter uma idéia, Djavan, co-protagonista (??!!) do filme, fez ali a sua estréia e, ainda bem, a sua despedida como ator - provavelmente por uma correta auto-crítica. E sua atuação é muito melhor que a de Patrícia Pillar. Mas surpreendentemente, ela conseguiu sobreviver à tragédia e hoje é uma atriz de currículo até respeitável, com participações elogiadas em filmes como 'Quatrilho' e 'Zuzu Angel', além de papéis televisivos bem feitinhos, como a Dra. Cris da minissérie 'Mulher'.



Em 'Para Viver um Grande Amor' (que era, afinal, um musical), salvava-se a trilha sonora, com boas regravações para os originais de Vinícius & Lyra, além de inéditas - de boa safra - de Djavan e Chico Buarque. No filme, na hora da cantoria, Patrícia Pillar foi dublada por Olívia Byington - o recurso, mal disfarçado pela atriz e mal realizado pelo diretor, só tornava tudo ainda mais constrangedor. Ou seja, o filme tem todos os ingredientes para se tornar, em futuro próximo, um "cult", hehehe...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Pau latejando? OPA!!


HAHAHA, essa é demais!

Saiu hoje, na coluna de TV da Folha, a seguinte nota:

Mico interativo

A Globo estuda mecanismos para filtrar as perguntas de internautas que aparecem nas transmissões esportivas. No último sábado, durante jogo do Mundial de Futsal, a emissora exibiu uma pergunta em que o nome do internauta era um trocadilho sexual. ´Por que o Falcão começa os jogos no banco é a pergunta de Paula Tejando, de Goiânia, aqui pertinho de Brasília´, soltou o locutor Luís Roberto.


Me escangalhei de rir. Não só pela idéia da pessoa em ligar pra Globo e pregar essa peça, não só por imaginar a esbórnia que deve ter feito essa pessoa quando conferiu que seu trote deu certo, como também por pensar na cara do Luís Roberto quando sacou a o mico. Esse locutor é um chato de galocha, daqueles tipos que estão sempre sorrindo, numa alegria falsa e irritante, e ainda é puxa-saco do Galvão Bueno, vejam só!

Muito provavelmente não por acaso, ontem à noite no SporTV, o programa 'Bem, Amigos' - que há muito tempo é apresentado pelo Luís Roberto -, teve o comando do Mauro Naves. Mas ao menos, o episódio serviu pra mostrar que as 'perguntas dos internautas' nas transmissões da Globo, não são fajutas, como eu sempre pensei que fossem.

E quanto ao 'Bem, Amigos' de ontem, salvou-se não só pela ausência do Luís Roberto como pela presença do Duofel, dupla de violões formada pelos talentosos amigos Luizão Bueno e Fernandinho Melo (que merecerão post exclusivo aqui, em breve).

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Dica da semana



Quem acompanha esse blog faz tempo, sabe que sou fã do cartunista Jaguar, gênio absoluto do traço e do humor politicamente incorreto.

Pois tá saindo um livro 'novo' do Mestre.
O novo vem entre aspas porque 'Ninguém é Perfeito', o livro, foi publicado inicialmente em 1972 na Argentina e permanecia, até agora, inédito no Brasil.

Mas em se tratando de Jaguar, é claro que seus cartuns e desenhos permanecem atualíssimos. Como aliás comprova a frase que conclui a apresentação do livro, escrita pelo próprio autor:

"Sei que ninguém é perfeito, mas eu exagero"

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Musas de 'Alguma' Estação

A beleza agressiva de Gabriela Sabatini, ex-tenista argentina:



Sônia Braga, nos anos setenta; nessa época, não tinha pra ninguém!



E essa capa de disco da Gal Costa? Será que os mais jovens conseguem imaginar o impacto disso naqueles tempos? Que ousadia maravilhosa!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Análise de Retorno Financeiro


A foto, não sei de quem é. Mas o texto abaixo é uma colaboração da minha amiga, a jornalista carioca Malu Fernandes. O blog dela (shopping de comunicação) tá linkado aí ao lado. E o texto revela que as agruras atuais ainda não destruíram o bom humor do habitante daquela cidade ainda maravilhosa...

Se você tivesse comprado, em janeiro de 2005, R$ 1.000,00 em ações da Nortel Networks ou da AIG, ambas gigantes da economia americana, teria hoje R$ 59,00. Se optasse por utilizar a mesma verba em compra de ações da Lucent Tehnologies – na época, uma potência das telecomunicações -, teria hoje R$ 79,00!

Mas se em janeiro de 2005 você tivesse usado os mesmos R$ 1.000,00 para comprar latas de cerveja, tivesse bebido tudo e guardado as latinhas pra vender hoje, teria R$ 80,00!

Conclusão:
No cenário econômico atual, você perde menos dinheiro se ficar sentado e bebendo cerveja o dia inteiro...
Mas é importante lembrar que, quem bebe mais vive menos.
Menos triste
Menos deprimido
Menos tenso
Menos puto da vida

Pense nisso... e... se for dirigir, não beba.
E se for beber, me chama.
Se não me chamar, pelo menos me manda as latinhas!