terça-feira, 4 de novembro de 2008

A cara do Brasil


Não gosto de automobilismo, essa coisa que muita gente chama de esporte... não assisto a corridas de Fórmula 1 desde aquela em que o Senna se arrebentou no muro; e das outras modalidades, tipo Indy, Moto, etc, não chego nem perto. Acho tudo uma estupidez. E pra falar a verdade, não gosto nem mesmo de dirigir; meu interesse por carros é próximo do zero. Mas, sinceramente, gostei que o tal do Hamilton foi campeão mundial; me parece um cara simpático e ‘do bem’. E ainda evitou (ou ao menos adiou) o ufanismo insuportável da Globo em cima de uma possível vitória do Mauricinho Massa. E o pai do cara chama Titônio?? É isso mesmo??

Mas bacana mesmo foi a vitória (aliás, a segunda) do Marílson na Maratona de Nova York. Esse sim, um sujeito que tem a cara do Brasil e que disputa um esporte na verdadeira acepção da palavra - onde o que vale são suas pernas, sua cabeça, seu esforço solitário, sua determinação.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Musas de Qualquer Estação


Ela é inglesa, nascida em 28 de setembro de 1968, mas desde os 14 anos vive na Austrália. Seu pai foi engenheiro de som do Pink Floyd - em homenagem a ele, já falecido, o toque do celular da moça tem a música ‘Money’, do emblemático ‘Dark Side of the Moon’. Sua melhor amiga? Nicole Kidman, a quem conheceu quando ambas dividiram um táxi, há muitos anos, a caminho de um teste para comercial de biquini - as duas foram reprovadas no tal teste, vejam só… Mas foi ao lado da amiga que Naomi Watts estreou no cinema, em 1991, no filme ‘Flirting’. Depois de uma penca de participações menores em filmes australianos, a grande chance apareceu com o convite de David Lynch para um dos papéis principais em ‘Mulholland Drive’ (2001) - estranho, perturbador, aclamado pela ‘crítica-cabeça’. Mas pra mim, o que ficou mesmo desse filme foi a tórrida cena de amor entre Naomi Watts e Laura Harring. Com o dinheiro ganho no filme de Lynch, Naomi produziu e estrelou o interessante ‘Ellie Parker’ (também em 2001), pouco conhecido e que vale a pena ver.


Depois disso, ela fez o papel principal da refilmagem ‘O Chamado’ (de Gore Verbinski, 2002) e o também angustiante e ótimo ’21 Gramas’ (de Alejandro González Iñarritu, 2003). E como ninguém é de ferro, Naomi então resolveu ‘refrescar’ um pouco seu currículo e foi fazer a queridinha do King Kong (2005) de Peter Jackson. Mas nada disso: uma grave queda em um barranco, durante a produção, custou mais de um mês de hospital para Naomi e um enorme atraso nas filmagens. Pra compensar, o filme foi um estrondoso sucesso. E vou dizer: adoro esse filme – gosto da história absurda, acho os efeitos especiais super-legais, e ela... arrebatadora! Conquista fácil o macacão e os babões em frente à tela.

Em 2006, Naomi estrelou, ao lado de Edward Norton, o belo ‘The Painted Veil’ (de John Curran) e no ano passado, deu a luz a seu primeiro filho, Alexander, fruto da união com o ator Liev Schreiber. O filme mais recente de Naomi Watts é ‘Funny Games U.S.’, de Michael Haneke. Ainda não vi, mas vou atrás.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dica da Semana


Sexta e sábado, Gilberto Gil no Citibank Hall, com seu novo show 'Banda Larga Cordel'. É a primeira turnê desde que deixou de ser ministro. Já passou por algumas cidades européias, norte-americanas e sul-americanas; nos EUA, recebeu crítica super-elogiosa do New York Times. Depois de se apresentar no Rio, semana passada, Gil chega a São Paulo.

Um show de Gil é sempre um acontecimento; sua simples presença já desperta aquele clima de excitação em muita gente. Tive a oportunidade de acompanhar Gil em algumas turnês Brasil afora; muitas vezes, observava curioso a variedade de tipos que comparecia aos shows e as pequenas multidões que, a cada cidade, vinham conversar com o artista no camarim, após os espetáculos. Tinha de tudo: de fãs assustadoramente devotos a políticos locais, de tietes oferecidas a insistentes artistas iniciantes, de malucos viajandões a pseudo-parentes do interior da Bahia. Certa vez, conversei com Gil sobre isso, que se disse também impressionado com o fato, a ponto de estar preparando uma música a respeito. A tal música apareceu algum tempo depois; sua inspirada letra segue abaixo:

"Febril", de Gilberto Gil


Veio gente me pedir uma esmola
Veio gente reclamar uma escola
Veio gente me aplaudir
Veio gente vaiar
Veio gente dormir nas cadeiras

Veio gente admirar meu talento
Veio gente adivinhar meu tormento
Veio gente me xingar
Veio gente me amar
Veio gente disposta a se matar por mim

E eu cantava aquela música aquela música alucinação
Como se eu fosse um punhado de gente
E aquela gente ali não
Como se o salão repleto fosse um deserto e eu fosse mil
Mil troncos de arvores velhas arvores velhas de pau brasil
Tanta gente e estava tudo vazio
Tanta gente e o meu cantar tão sozinho
Todo mundo mundo meu
Meu inferno meu céu meu vizinho

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Bomba! Bomba!!


Deu na coluna da Monica Bérgamo, na Folha de hoje: Claudia Ohana será capa da Playboy de novembro!

A notícia não teria a mínima relevância (assim como a revista já não tem, há muito tempo), caso a moça em questão não tivesse virado ícone de toda uma geração, ao revelar, na mesma Playboy e há mais de 20 anos, uma... como diria... impressionante coleção/cultura de pelos pubianos.

E agora, a expectativa é quase insuportável! Como estará a ohana da Claudia?
Opa, quer dizer... Ah, xapralá! foi isso mesmo que eu quis dizer!

Who's that girl?


Ontem, me bateu uma dúvida: será que o Figueiredo, último presidente do (des)governo militar, morreu? Foi ele o único na história do país a recusar-se a entregar a faixa a seu sucessor. Levando em conta que este era José Sarney, hoje até entendo a atitude...

E foi ele também que pediu, assim que deixou o governo, que o esquecessem. E olha, nunca vi pedido levado tão a sério: esqueceram de tal jeito que nem sabia mais se o homem morreu ou se está vivo. Mas dei uma rápida googada e descobri que sim - João Figueiredo partiu desta pra melhor em 1999. E achei também essa foto maravilhosa, tirada pelo fotógrafo Guinaldo Nicolaevsky, então trabalhando n'O Globo - que não publicou a imagem. Ela foi feita em Belo Horizonte, em 1979, onde o presidente lançava o primeiro carro a álcool do país; a prefeitura organizou uma fila de crianças para cumprimentá-lo e a menininha da foto se recusou terminantemente a apertar a mão do general da vez. Hahaha, demais! Seria interessante descobrir quem é a tal garota...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Dica da Semana

Stacey Kent, Esperanza Spalding e Carla Bley, numa mesma noite e naquela acústica maravilhosa do Auditório Ibirapuera? Pois é! É nessa quarta-feira, no TIM Festival, para os poucos que puderam arcar com o alto valor do ingresso; ou... para aqueles sortudos que nem sequer batalharam, mas conseguiram ingressos 'na faixa', de mão beijada. Sorry, juro que não quero me vangloriar, mas estou eu aí nesse segundo grupo...

Stacey Kent é pra mim, hoje, a melhor cantora do mundo. Trata-se de uma americana que foi fazer faculdade na Europa, acabou se apaixonando por um saxofonista e nunca mais voltou. Sorte nossa! Seu timbre, sua dicção e sua respiração perfeitas, sua interpretação... não encontram concorrentes na música vocal que é feita hoje. Olhaí:



Esperanza Spalding, por sua vez, é menina-prodígio. Misto de contrabaixista e cantora, tem apenas 24 anos e já está em seu segundo disco - mistura jazz, soul e música brasileira. Além disso tudo, é lindíssima. Dá pra conferir aí embaixo:



Já Carla Bley é uma véinha muito louca; sempre foi, aliás. Californiana nascida em 1936, essa pianista, compositora e bandleader já passou por quase tudo no jazz, do tradicional ao free total, com destaque para a sua longa parceria com o genial contrabaixista Charlie Haden e seu trio com o baixista Steve Swallow (seu atual marido) e o saxofonista Andy Sheppard. Em 1994, esse trio lançou um disco espetacular ('Songs with Legs'), cuja capa aparece no comecinho desse rápido video:



A noite promete...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Declaração de Voto



A diarista que trabalha aqui em casa, Leide, vai votar na Marta Suplicy. E me explicou porque:

“Tenho quatro filhos e moro lá no final da Parelheiros. Antes da Marta prefeita, eu pegava no mínimo quatro conduções por dia para trabalhar e tinha que gastar dinheiro em todas. Os ônibus eram muito velhos, caindo aos pedaços – vira e mexe, quebravam no caminho; ou eu desistia e voltava pra casa, ou pegava uma daquelas lotações clandestinas, que corriam muito e eram ainda mais caras que o busão. Meus filhos não tinham material escolar e nem roupa; tinham vergonha de ir à escola vestindo ‘roupinha pobrinha’ – me contavam que eram discriminados pelas outras crianças que tinham pelo menos uma havaiana pra calçar. Fora da escola, lá no bairro, as crianças não tinham nada pra fazer, nenhum lugar pra brincar ou pra aprender alguma coisa boa. Daí veio a Marta, ela inventou o bilhete único e eu passei a gastar metade do que gastava em condução – e os ônibus melhoraram, tinha até ônibus cheirando a novo na periferia! E mais: a Marta foi lá e inaugurou um CEU – por isso, pela primeira vez na vida, meus filhos foram no cinema”.

Esse breve depoimento dá a pista para aquilo que considero o mais importante na minha decisão de voto em Marta Suplicy. Esse voto é um ato de desprendimento, um ato de amor ao próximo, um ato POLÍTICO de ALTRUÍSMO. Isso porque, ‘na real’, para um cara como eu ou como você que lê esse blog, não faz muita diferença se ganha a Marta, o Kassab, ou o Alckmin, ou até mesmo o Maluf – esses dois, se ainda estivessem no páreo. Continuaríamos com nossas vidinhas mais ou menos na mesma, com nossas pequenas ambições, nossas pequenas conquistas, nossas pequenas posses. Mas o problema é que a maior parte da população precisa - e depende - de governo. Senão, falta até comida. Aqueles que acham, por exemplo, que a popularidade do Lula é um fenômeno de mídia ou fruto da ignorância do povo, enganam-se completamente. É gente que não comia e passou a comer – se o Lula pular do vigésimo andar, o cara pula atrás.

E é o egoísmo das classes mais altas que revolta. Já ouvi gente dizendo: "não preciso de creche, não preciso de bilhete único, nem de banda larga de graça, muito menos de programas sociais. Por que político só tem proposta pra pobre?" Classe me®dia conservadora, mesquinha, hipócrita. Não vale o que come.

Os filhos da Leide não preferem filme de humor a suspense, não saberiam escolher entre um passeio no parque ou uma tarde em casa fuçando na internet. Simplesmente porque essa realidade não existe. Uma pesquisa feita na Cidade Tiradentes, quando o primeiro CEU foi inaugurado, mostrou que 90% da população NUNCA tinha entrado num cinema. Mais que isso: nos CÉUs, além da educação básica, tiveram a chance de aprender dança, fazer cursos artísticos, balé, cursos de línguas, várias coisas: tudo aquilo que nossos papais e mamães de classe média alta insistiam/pagavam para fazermos, para termos cultura, para termos acesso a oportunidades. Já ouvi também muita gente dizer, entre risinhos, que é besteira fazer coisa de qualidade pra pobre – o cara não tem nada mesmo, qualquer coisa tá bom. Pura maldade de quem não sabe enxergar um palmo adiante do nariz.

Pois Marta deu o feijão e o arroz, mas deu também a cereja do bolo. E mais: a prefeitura de Marta Suplicy distribuiu uniforme e material escolar de qualidade para mais de 1 milhão de crianças em São Paulo. Fui testemunha de uma cena emocionante, uma vez no Parque do Ibirapuera, quando organizei um dia inteiro de oficinas musicais para as crianças de 4 a 8 anos, da rede pública do tempo da Marta. Quando a prefeita chegou pra conferir a ação, todas, absolutamente TODAS as crianças, pararam o que estavam fazendo para aplaudi-la, para abraçá-la, para beijá-la, para simplesmente estar com ela.

Enquanto a grande parcela da burguesia opta por Kassab e uma outra reclama do sistema e diz que Marta e Kassab são iguais (mas vota no segundo, ou nulo, ou branco), a galera de Parelheiros, Cidade Tiradentes, São Miguel Paulista, Brasilândia e outros lugares paupérrimos preocupam-se com a educação de seus filhos, as parcas oportunidades de trabalho, a condição da saúde pública e a existência de comida no prato ao fim do dia. Será que só populismo explicaria a quantidade de votos de Marta nas regiões mais carentes - assim como a vitória avassaladora de Kassab nas áreas mais ricas?

Acabei de ver na TV o ‘ direito de resposta’ do Kassab. A Justiça concedeu isso por considerar que a campanha da Marta ofendeu o atual prefeito. Perguntar se alguém é casado é ofensa? Puxa... não sabia... Também acho que foi uma cagada o pessoal da Marta levantar essa lebre, mas acho ainda muito mais ridículo, absurdo e revoltante, a relevância que tal fato gerou na mídia em geral. Nas eleições anteriores, a campanha do Serra distribuiu panfletos com o título ‘ Dona Marta e seus dois maridos’. Alguém se lembra de alguma manchete na Folha ou no Estadão sobre isso? Não, porque não houve. Mas certamente, muitos se lembrarão das várias fotos, nas primeiras páginas dos jornalões, onde seus autores procuravam maldosamente um momento fugaz para ridicularizar e desrespeitar Marta – fotos dela cruzando as pernas, até foto de suas pernas DEBAIXO DA MESA me lembro de ter visto. E onde estavam os arautos do politicamente correto, os defensores do não-preconceito? Onde estava o Sr. Contardo Calligaris – sujeito de quem gosto (ou gostava...) – e que ontem escreveu ridículo artigo comparando Marta a McCain?

Votar em Marta é votar pelo bem da maioria, é votar pelo abrandamento da tremenda injustiça social que abala e envergonha essa cidade. Votar em Marta é uma obrigação para aqueles que se preocupam em enxergar além de suas próprias vidinhas mesquinhas e patéticas.

Marta Suplicy para prefeita de São Paulo. Tenho dito.

PS: Esse post revela de forma cristalina o que penso dessa eleição, mas boa parte dele foi descaradamente chupado de escritos recentes do Gabriel e da Ana Clara – a quem louvo, dou crédito e agradeço.