quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Dica da Semana



Sensacional novo blog do Gabriel, já devidamente linkado aí ao lado. Segundo a definição dele, "Afroências é um espaço onde se fala de tudo: música, futebol, política, filmes, tudo. Só que é tudo de um ponto de vista negrão. Então, a política é black; a música é black; é tudo black. Não à toa, o pano de fundo é preto e azul - black and blue"

E mais: é super high-tech! Quem sabe um dia ele me ensine a transformar esse humilde 'Quasepouco...' em um espaço 'muderno', com as traquitanas que ele conhece tão bem. Mas o que vale mesmo é o conteúdo; e isso, o garoto tem de sobra. Vão lá conferir: tem James Brown (praticamente) inédito, entrevista com Luiz Melodia, uma bela homenagem à Miriam Makeba e por aí afora!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Cartuns

Adão Iturrusgarai tem se destacado como cartunista na Folha de S.Paulo. Depois das deliciosas aventuras da Aline, o cara inventou um personagem muito bem sacado: o Homem-Legenda! A gente sente que o personagem ainda vai evoluir, mas seu potencial é imenso. Vejam só:

Aqui, em versão 'historinha-com-começo-meio-e-fim', outra ótima do Adão:

E pra terminar e só pra não perder o costume de louvar o mestre, o sensacional 'Bóris, o homem-tronco', inesquecível criação do Jaguar:

domingo, 9 de novembro de 2008

Túnel do Tempo

Jornal da Tarde, 22 de fevereiro de 1991:



Clones do Rock em busca da fama. Pelo caminho mais curto

Todas as semelhanças não são meras coincidências. É isso o que vale para boa parte do rock brasileiro - a imagem 'emprestada' de algum ídolo estrangeiro muitas vezes conta mais do que a própria música. Há 20 ou 30 anos, tudo o que se queria era chegar perto da matriz através do som; hoje, na era do videoclip, o que conta mesmo é o visual. De Sérgio Murilo aos Mutantes, o que se fazia era ouvir à exaustão os discos de Elvis ou dos Beatles para depois tentar alcançar, com os parcos recursos tecnológicos da época, a sonoridade moderna que eles traziam. Com a defasagem técnica reduzida pelos samplers e computadores - capazes de reproduzir o mesmo som em Nova York ou no interior do Piauí -, uma associação visual com tipos já consagrados pode ser o caminho mais rápido para o sucesso. Essa associação às vezes é sugerida por um simples gesto ou atitude; em outras é perseguida nos mínimos detalhes. Se os artistas são meros bonecos nas mãos de poderosos esquemas de marketing - ou se deliberadamente buscam essa aproximação com os modelos estrangeiros, é uma questão que varia de caso para caso. Mas a verdade é que as coverfaces que vemos abaixo tornam ingênuos os tempos em que Silvio Brito sonhava ser confundido nas ruas com John Lennon, e Eduardo Araújo, ao olhar para os espelho todas as manhãs pensava, por alguns segundos, estar vendo o guitarrista Carlos Santana.




sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Aula de Ética


O 'professor'Vanderlei Luxemburgo se supera a cada momento. Nesta quarta-feira, mandou o time reserva do Palmeiras pra Buenos Aires, enfrentar o Argentinos Jrs. pela Copa Sul-Americana; ao mesmo tempo, atuou como comentarista na transmissão ao vivo que a TV Globo fez da partida. Antes do jogo começar, disse que o SEU time tinha todas condições de vencer, já que ELE havia preparado muito bem a equipe, já que ELE tinha orientado seu assistente Nei (pra quem sobrou o rojão de dirigir o time lá no campo) sobre o que fazer, sobre a tática, a função de cada jogador, etc. Depois de 20 minutos, quando o Palmeiras já levava um verdadeiro 'chocolate' dos hermanos (2 a zero, bola na trave e o escambau), o Luxa me sai com essa: 'A responsabilidade é toda do Nei, que está lá; eu, daqui, não posso fazer nada'. Impressionante...

Na Folha de hoje, o Xico Sá comenta o assunto:

"... você liga a tevê, ali em uma quarta sem grandes atrações ludopédicas, e vê o treinador de sua equipe como comentarista de um jogo também do seu time... sim, amigo, que lição de envolvimento com os atletas que viajaram, que aula de compromisso passional com o clube, não acha? Enfim, que belo exemplo!, como disse o Sócrates no programa 'Cartão Verde'. Fica uma dúvida, posta à sombra moral de quem não escreve certezas absolutas, mas tem o direito à desconfiança inata do bicho homem que pensa: o técnico não seguiu com o time para ficar concentrado no Brasileiro ou fez opção pelo convite ao palco iluminado da Globo? Não que ele precise de tal expediente, afinal é o favorito e já pisa no chão de estrelas, é 'o bom', como na autodefinição preferida, noves fora a tentação pecaminosa da soberba... é amigo, o que seria uma modorrenta noite de futebol, acabou, por causa do técnico comentarista, tendo a sua graça".

quinta-feira, 6 de novembro de 2008


“A última vez que estive em Alcochete, aqui só havia burros” – José Saramago, ao comparecer à estréia de 'Ensaio sobre a Cegueira’ em sua cidade natal, onde antigamente os tropeiros costumavam parar para alimentar os burros de carga.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A mão da limpeza


O Quênia está em festa: Barack Obama é o novo presidente dos Estados Unidos. Foi naquele país do Leste africano que nasceu o pai de Obama; e lá vivem sua avó paterna e alguns de seus tios e primos. No vilarejo de Kogelo, no noroeste do Quênia, sem asfalto nem água encanada, vive sozinha a Mamah Sarah – 86 anos, avó de Obama. Há dois anos, ela recebeu em sua casa a visita do neto famoso; desde então, quase diariamente recebe jornalistas, políticos e todo tipo de gente com os mais esdrúxulos pedidos. E há pouco tempo, uma agência de turismo lançou um pacote turístico que inclui uma visita ao vilarejo. Fico imaginando a enorme expectativa dos africanos em geral, na esperança de que Obama altere as relações entre EUA e África: o fim dos subsídios agrícolas, o perdão de dívidas, polpudos investimentos em saúde, educação, saneamento básico... É muita coisa, é um peso enorme nas costas do novo presidente da superpotência. E isso, falando só de África...

Mas a simples eleição, para a presidência dos EUA, de um negro que tem o apoio dos americanos esclarecidos (sim, eles existem) e a boa vontade da comunidade internacional, é um fato que alegra, que dá esperança. Destaco alguns trechos de entrevista publicada na Folha de ontem, com o cineasta Spike Lee. Seu filme mais recente, “Milagre em Santana” (que deve estrear no Brasil só em fevereiro), conta a até hoje inédita história da participação dos soldados americanos negros na Segunda Guerra Mundial:

“Os negros que se alistaram para lutar pelo seu país em 1944 encontraram as forças armadas americanas completamente segregadas. Linchamentos ainda eram comuns. Eles eram considerados cidadãos de segunda classe... conheci vários veteranos do 92º. Batalhão de Infantaria. São heróis americanos, que tinham todos os motivos para serem mais amargos pela maneira com que os EUA os trataram, mas que estão felicíssimos porque jamais imaginaram que um dia poderiam votar em Barack Obama para a presidência desta república que é deles também. Há para eles, mais do que nunca, a certeza de que todos os sacrifícios que fizeram, fazem todo o sentido... e eu mesmo cresci no Brooklyn vendo filmes de guerra; e tudo o que via era John Wayne. Só soube dos Buffalo Soldiers porque meu pai e meus irmãos ouviam e contavam histórias de motoristas de caminhão que haviam sido voluntários negros da 2ª. Guerra e foram escolhidos para transportar munição até Berlim, dirigindo à noite, sem luz, escondidos, para ajudar na derrocada final de Hitler. Ninguém sabe disso. E outro fato que poucos sabem é que boa parte dos alemães capturados foi mandada para o sul dos EUA, onde dividiram espaço com soldados negros. Agora, pense nesses jovens negros que se alistaram e eram treinados pra matar nazistas e depois, em sua terra, viam os brancos alemães recebendo mehor comida, tratamento médico e alojamento do que eles; sendo bem recebidos em lanchonetes de Louisianna onde os negros tinham lugares específicos para se sentar”.

Pois é... e além de toda a expectativa mundial, Barack Obama recebe a ‘herança maldita’ do governo Bush, avaliado por muitos como o pior de toda a história dos Estados Unidos. O trabalho de limpeza ali não vai ser fácil. Mas isso não é novidade para os negros:

“O branco inventou que o negro quando não suja na entrada, vai sujar na saída...que mentira danada.... Na verdade a mão escrava passava a vida limpando o que o branco sujava. Êta branco sujão!” – G.Gil

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A cara do Brasil


Não gosto de automobilismo, essa coisa que muita gente chama de esporte... não assisto a corridas de Fórmula 1 desde aquela em que o Senna se arrebentou no muro; e das outras modalidades, tipo Indy, Moto, etc, não chego nem perto. Acho tudo uma estupidez. E pra falar a verdade, não gosto nem mesmo de dirigir; meu interesse por carros é próximo do zero. Mas, sinceramente, gostei que o tal do Hamilton foi campeão mundial; me parece um cara simpático e ‘do bem’. E ainda evitou (ou ao menos adiou) o ufanismo insuportável da Globo em cima de uma possível vitória do Mauricinho Massa. E o pai do cara chama Titônio?? É isso mesmo??

Mas bacana mesmo foi a vitória (aliás, a segunda) do Marílson na Maratona de Nova York. Esse sim, um sujeito que tem a cara do Brasil e que disputa um esporte na verdadeira acepção da palavra - onde o que vale são suas pernas, sua cabeça, seu esforço solitário, sua determinação.