segunda-feira, 23 de março de 2009

Uma cidade: Buenos Aires


Essa época do ano é uma das melhores para curtir a capital da Argentina: sol e céu azul de dia, temperaturas ideais à noite.



Muito verde, arquitetura deslumbrante, os bares e restaurantes modernos de Palermo, as livrarias, os cafés e confeitarias.



E o povo argentino, quase sempre muito mais politizado e civilizado que o brasileiro. Fica difícil entender como eles são presas tão fáceis para aberrações políticas como Perón, Menem, e agora, esse ridículo casal Kirchner. Perguntei para vários deles a razão disso; ninguém conseguiu me explicar direito.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Recomendo


A idéia é muito boa: o fotógrafo Evandro Teixeira, que cobriu para o Jornal do Brasil a histórica 'Passeata dos 100 Mil', em 1968 no Rio de Janeiro, pegou a foto acima e foi atrás de alguns dos milhares de rostos ali presentes; identificou vários, entrevistou e fez fotos atuais de cada um deles, na mesma Cinelândia da foto original.

Interessante conferir o rumo que cada um tomou, a influência (ou não) que os 'arroubos da juventude' tiveram sobre as vidas daquelas pessoas. Seria fácil ir atrás dos (muitos) participantes famosos que ali estavam: Chico Buarque, Gilberto Gil, Nana Caymmi, Paulo Autran, Odete Lara, Caetano Veloso, Tônia Carreiro (que identifiquei nas fotos abaixo):






Mas Evandro escolheu personagens anônimos, ou quase anônimos, e incluiu bons textos de Marcos Sá Correa, Fritz Utzeri, Augusto Nunes e Vladimir Palmeira. Pronto: fez um livro histórico, importante e que além e acima disso, tem a força e a beleza crua do melhor fotojornalismo.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Cocaína, herô e ópio para todos!!!

Calma, gente... isso foi no tempo dos nossos (bis)avós. Vejam só que coisa:


Heroína da Bayer. Entre 1890 a 1910, a heroína era divulgada como um substituto não viciante da morfina; e como remédio contra tosse para crianças.


O Mariani (1865) era o principal vinho de coca do seu tempo. O Papa Leão XIII adorava o produto e premiou seu criador, Angelo Mariani, com uma medalha de ouro. E esse era apenas um entre os muitos vinhos que continham coca, disponíveis no mercado. Todos afirmavam que tinham efeitos medicinais, mas não há dúvidas de que eram consumidos, também pelo seu valor "recreativo".


Drops de cocaína para dor de dente (1885) eram muito populares. Não apenas acabava com a dor, mas também melhorava o "humor" dos petizes.


Propaganda de heroína da Martin H. Smith Co., de Nova York. A heroína era amplamente usada não apenas como analgésico, mas também como remédio contra asma, tosse e pneumonia. Misturar heroína com glicerina (e comumente, açúcar e temperos) tornava o opiáceo mais palatável para a ingestão oral.


E pra aquietar recém-nascidos, ópio. Esse frasco de paregórico (sedativo) da Stickney and Poor's trazia uma mistura de ópio e álcool e era distribuída do mesmo modo que os temperos pelos quais a empresa tornou-se conhecida. "Dose – [Para crianças com] cinco dias, 3 gotas. Duas semanas, 8 gotas. Cinco anos, 25 gotas. Adultos, uma colher cheia." O produto era muito potente: continha 46% de álcool.

domingo, 8 de março de 2009

Recomendo


Sensacional capa de Di Cavalcanti, para disco póstumo de Noel Rosa, de 78rpm, lançado em 1950. Essa e outras belas imagens ilustram o livro '300 Discos Importantes da Música Brasileira', organizado por Charles Gavin e com bons textos assinados por Carlos Calado, Tárik de Souza e Arthur Dapieve. É claro que qualquer lista é imperfeita, já que sempre obedece a critérios discutíveis e que são filtrados por pontos de vista, pré-conceitos e perspectivas racionais/emocionais, absolutamente pessoais. Mas a idéia do livro é boa e sua execução também. A edição é bem cuidada, a impressão é ótima.

Além dos textos e das capas de discos, olivro tem também algumas fotos bem legais e pouco conhecidas, como essa aí de Cartola e Dona Zica, assinada por Francisco Pereira...



...ou essa outra do Jorge Mautner, tirada em 1972 por Odir Amorim:



Ganhei o livro de presente e por isso não sei o preço, mas deve custar bem caro. Pra quem puder bancar a extravagância, fica a dica.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Cacete!!!


Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, 'a incidência de raios ultravioleta atingiu níveis extremos em 13 capitais brasileiras ontem, por volta das 12h15. Os índices variaram entre 11 e 13 pontos, numa escala que vai de 1 a 14'.
Em São Paulo, esse índice chegou a 11. Realmente, tem feito um calor da porra por aqui, durante toda a semana - uma coisa insuportável nessa cidade que, definitivamente, não está preparada pra isso.

Mas tanto ou quase tão insuportável, é a recorrência do tema, onde quer que se esteja. Você entra no elevador, o executivo que sofre no terno e gravata logo comenta: 'Que calor, hein?'. Vai no supermercado, o caixa puxa assunto: 'Tá quente demais!'. O porteiro do prédio não deixa por menos: 'Hoje, soube que vai chegar nos 37 graus'. A insistência de todos, em qualquer lugar, parece apenas aumentar a sensação de desconforto. Confesso que tenho até preferido ficar sozinho em casa, pra não ter mais que ouvir nenhum comentário sobre isso. Mas daí você entra em um blog de 'amenidades' e encontra o cara divagando sobre a mesma coisa... Desculpe gente, mas acho que uma das consequências dessas altas temperaturas, ao menos em São Paulo, deve ser a de embotar o cérebro, fritar os neurônios, inibir a criatividade. Vou enfiar a cabeça embaixo da água gelada e volto depois.

domingo, 1 de março de 2009

Pra começar bem a semana

Elis & Hermeto em jam session no Festival de Montreaux, Suíça, 1979. Sem ensaio, sem nada combinado, improviso total. Hermeto havia aberto a noite com sua banda, em apresentação antológica, arrebatadora. Elis veio depois, com seu grupo comandado por César Camargo Mariano. Subiu ao palco tensa, parece que por conta de um desentendimento com o marido. Não gostou do show que fez, tanto que não autorizou o lançamento daquela apresentação em disco, coisa que aconteceu somente após sua morte. Hoje sabemos que tratava-se de um excesso de preciosismo da cantora, já que há ali momentos absolutamente sublimes. O Lp duplo original (hoje disponível em CD)inclui as três músicas que ela e Hermeto tocaram juntos, no final da noite: 'Asa Branca', 'Garota de Ipanema' e essa do vídeo abaixo, 'Corcovado'. Incrível como Elis, tida por alguns idiotas da obviedade como uma artista careta e convencional, não se perde nunca, ou melhor, flutua com absoluta naturalidade pelas 'armadilhas' harmônicas e ritmicas preparadas por Hermeto no decorrer da música. No final, dá pra perceber que, ao abraçá-lo, Elis diz pro Hermeto: 'filho da puta!'. Hahaha, sensacional!