domingo, 2 de maio de 2010

Os Velhos Baianos



Com atraso, assisti nos últimos dias aos DVDs mais recentes de Gil e Caetano: 'Bandadois' e 'Cê', respectivamente. E gostei de ambos. Gil, depois da temporada 'no inferno burocrático' do Ministério da Cultura, e depois de enfrentar sérios problemas nas cordas vocais, retornou com estilo e elegância. Em formato acústico/minimalista, emoldurado por inspirada iluminação e um palco de concepção simples e eficiente, 'Bandadois' destaca a qualidade do violão de Gil (acompanhado na maior parte das músicas por seu filho Bem, de toque discreto e competente) e um repertório muito bem escolhido, com direito a inspiradas releituras de 'Esotérico', 'Andar com Fé', 'Refavela', 'Lamento Sertanejo' e 'Tempo Rei', além das menos conhecidas e igualmente superiores, 'A Linha e o Linho', 'Metáfora', 'Banda Um', 'La Renaissance Africaine' e 'A Raça Humana'. Há espaço ainda para algumas canções da (boa) nova safra do compositor, como 'Máquina de Ritmo', 'Quatro Coisas' e 'Pronto pra Preto', além da correta participação de Maria Rita na bonita recriação de 'Amor até o Fim'. Já o DVD de Caetano traz a gravação do show que se seguiu ao lançamento de 'Cê', onde o autor configura mais uma polêmica guinada em sua carreira - optando por um formato de rock 'sujo', ruidoso e urgente - proposta que foi aprofundada (e aperfeiçoada) no CD mais recente, 'Zii e Zie' . O DVD 'Cê' é muito bom - traz o cantor mais uma vez esbanjando competência em 'Não Me Arependo', 'Homem', 'Rocks' e 'Odeio', pra citar só algumas. E pelo menos um momento de suprema iluminação, na interpretação da pouco lembrada 'O Homem Velho', originalmente gravada no distante LP 'Velô'. E além de tudo, 'Cê' revela a excelência de um novo grande guitarrista: Pedro Sá.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O Pai, o Filho e o Espírito Santo


A Santíssima Trindade do futebol reuniu-se no Café Maravilhas, em Madri, para uma publicidade das bolsas Louis Vuitton. As fotografias foram feitas pela genial Annie Leibovitz. A campanha estrará nas revistas em junho, durante a Copa do Mundo da Africa do Sul. A Agência responsável demorou um ano para acertar cachês e datas com os astros. O que terá sido mais difícil, a grana ou a agenda? E qual deles terá cobrado mais mais?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Luzes, câmera... e inação


Luiz Felipe Pondé é (mais um) colunista da Folha que adora causar polêmica. Semana passada, mexeu em um vespeiro ao comentar que o cinema brasileiro é incapaz de fazer filmes como o argentino ‘O Segredo dos Seus Olhos’, que recentemente ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Pondé argumentou que o cinema nacional limita-se à favela e à violencia, sendo ainda refém da ‘estética da fome’, de uma visão ‘idealizada’ da pobreza que foi consagrada pelo cinema novo e especialmente, por Gláuber Rocha. No decorrer de toda a semana, choveram cartas na redação do jornal, contra e a favor das posições defendidas pelo colunista.

Embora eu mesmo já tenha incluído o Gláuber em uma das ‘Galerias dos Chatos’ que postei aqui no blog, estou longe de concordar com o Pondé. Em primeiro lugar, não acho que o Gláuber tenha inaugurado uma ‘estética’ e nem mesmo que tenha o poder de influenciar o cinema brasileiro até hoje. Por outro lado, nossa produção (nossa não, ‘deles’, já que não sou cineasta) inclui também a recente ‘estética da TV’ – perpetrada pela Globo Filmes em sucessos como ’Se Eu Fosse Você’ (1 e 2), ‘Os Normais’, ‘A Grande Família’ e o recente ‘Chico Xavier’, entre tantos outros. Ontem, assisti na TV a mais um exemplar dessa categoría, o babaquara e rastaquera ‘Mulher Invisível’ - que entre uma bobagem e outra, desperdiça o enorme talento de Selton Mello. O cinema brasileiro mais ‘independente’ (se é que podemos assim chama-lo) também é capaz de produzir boas surpresas, como ‘O Cheiro do Ralo’ e os documentários do Eduardo Coutinho, por exemplo. E mesmo a Globo Filmes, de vez em quando parece distrair-se e deixar passar uma pérola pouco vista como ‘Tempos de Paz’, dirigido pelo mesmo Daniel Filho do ‘Chico Xavier’ – que não vi e nem pretendo. Em suma: Pondé força a mão, exagera certas coisas e omite outras. Tudo para criar uma polêmica. Isso é jornalismo?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Paula & Rubem


Essa moça aí de cima é a escritora carioca Paula Parisot, personagem de uma história 'interessante', revelada hoje pela Folha de S.Paulo. Conta o jornal que foi ela o pivô da saída do consagrado Rubem Fonseca da Companhia das Letras, em maio passado, depois de 20 anos de editora. Desde então, o mundo editorial especulava sobre os motivos do rompimento. Segundo a Folha, a causa teria sido a insistência de Rubem para que a editora publicasse 'Gonzos & Parafusos', novo romance de Paula, declarada pupila e amiga do escritor.

Paula Parisot passou os últimos dias dentro de um cubo transparente na Livraria da Vila em Pinheiros (SP), numa performance para o lançamento de 'Gonzos', que finalmente saiu pela editora Leya - por indicação, é claro, de Rubem Fonseca.

E num surpreendente movimento, o escritor abandonou a sua famosa reclusão e a aversão a eventos públicos, e veio a São Paulo anteontem participar da performance da amiga. Diz a Folha: "... (Fonseca) ajudou a servir o café da manhã para a amiga, abaixou para beijar a mão dela por uma portinhola e, parecendo fascinado, sussurrou-lhe por trás do vidro palavras carinhosas: 'Precisa comer, viu?';'Tá tão magrinha'; Chora não, meu bem'". O livro de estréia de Paula Parisot, 'A Dama da Noite'(2007) chegou a finalista do Prêmio Jabuti. Mas, destaca a Folha, foi 'malhado numa resenha no jornal de literatura 'Rascunho', que o definiu como 'pastiche' de Fonseca, com 'marginalidade aos montes, uma visão idealizada do morro e sexo, muito sexo'".

Pode não ter nada a ver, pode ser só caretice ou mesmo pura maldade da Folha, mas que a história é estranha... é mesmo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Leitor de jornais: uma espécie em extinção?


Começou há muito tempo, como obrigação auto-imposta.
Depois, virou prazer.
Por fim, um hábito arraigado.
Hoje, um pouco disso tudo.
Falo do costume de ler, na íntegra, ao menos um jornal, todos os dias.

Comentário rápido:
Parece algo banal, mas todos os dias me espanto com o número de pessoas que, constato, não lê jornal. Eventualmente, acompanham o noticiário rápido, falho e superficial da Internet, assistem à baboseira espetaculosa e diversionista do Jornal Nacional e se dão por satisfeitas. E estou falando de pessoas que encontro e encontrei no decorrer da minha vida profissional. Vivida, na sua maior parte, em empresas 'de comunicação'!

Bem... da minha parte, acompanho eventualmente no decorrer do dia as notícias online, mas não abro mão do velho e bom jornal ‘físico’ que chega todas as manhãs na porta de casa.

Desenvolvi uma técnica:

- Primeira página, leio-a toda.
- De todas as matérias, leio o primeiro parágrafo (no jargão jornalístico, lead) e o último.
- Completada essa fase, volto ao início das páginas para ler na íntegra as matérias que mais me interessaram. Dependendo do tempo disponível, faço isso de imediato ou no decorrer do dia.
- Última regra auto-imposta: procuro fazer isso no mesmo dia. Jornal do dia anterior é mesmo para embrulhar peixe (ou no meu caso, bosta de cachorro).

O interessante é notar que, dessas minhas leituras, acima do em geral deprimente noticiário do dia-a-dia, o que cada vez mais me chama especialmente a atenção são as noticias e frases inusitadas ou aparentemente menos importantes - já que em sua maior parte, são relegadas pelos editores a um desprestigioso pé de página.

Como por exemplo, a noticia abaixo:

“O InCor está selecionando homens entre 50 e 75 anos que bebam meia taça de vinho tinto de quatro a cinco vezes por semana e abstêmios, para uma pesquisa sobre os efeitos positivos da bebida no proceso de envelhecimento. A maior dificuldade dos médicos está sendo encontrar abstêmios”