
Paulo Moura: grande saxofonista, clarinetista, arranjador e compositor brasileiro. Por mais de 60 anos, trafegou com igual maestria pelo erudito e pelo popular - foi solista da Orquestra Sinfônica Brasileira (com apenas 19 anos), foi integrante do seminal Bossa Rio de Sérgio Mendes, tocou no mítico concerto que lançou a Bossa Nova no Carnegie Hall de Nova York, gravou na década de setenta o espetacular 'Confusão Urbana, Suburbana e Rural', dividiu palcos e estúdios com Raphael Rabello, Clara Sverner, Yamandu Costa e tantos outros. Era respeitadíssimo tanto nas gafieiras da Lapa carioca quanto nos círculos mais exigentes do jazz internacional.
Há cerca de dez anos, tive a oportunidade de escrever o texto do livreto de um belíssimo CD de Paulo, gravado na Europa e pouquíssimo conhecido no Brasil. E uns dois anos atrás, colaborei com um amigo na produção de um show de Paulo Moura com Armandinho Macedo (do Trio Elétrico baiano) no Parque da Aclimação, em São Paulo. Designado para busca-lo no hotel, encontrei o mestre tocando lindas melodias na clarineta, sozinho em seu quarto. 'Vestia' apenas um chapéu de palha. Discursou lindamente, por longos minutos, sobre a obra e a importância de Pixinguinha. Paulo Moura, o excepcional músico, humilde como só os grandes sabem ser; e generoso ao extremo, como só aqueles de alma elevada conseguem. Foi a última vez que o vi.
Na Folha Ilustrada de hoje, capa e página 3 inteiras com a novata cantora pop/soul americana Janelle Monáe. Para Paulo Moura? Matéria de meia página no interior do caderno. Apesar do bem escrito texto do sempre bom Carlos Calado, a 'reportagem' da Folha não se preocupou em ouvir ninguém do meio musical/cultural a respeito da morte do grande artista. E tampouco fez uma cronologia de seus discos ou qualquer avaliação de sua trajetória. É por coisas como essa que jamais voltarei a trabalhar na chamada 'grande imprensa'...











