quinta-feira, 31 de julho de 2008

A força do assobio


'Um sonho´, música e letra de Gilberto Gil, 1977.
Mais ou menos a mesma época da foto acima.

Eu tive um sonho
que eu estava certo dia
num congresso mundial
discutindo economia

Argumentava
em favor de mais trabalho
mais emprego, mais esforço
mais controle, mais-valia

Falei de pólos
industriais de energia,
demonstrei de mil maneiras
como que um país crescia

E me bati
pela pujança econômica
baseada na tônica
da tecnologia

Apresentei
estatísticas e gráficos
demonstrando os maléficos
efeitos da teoria

Principalmente
a do lazer, do descanso
da ampliação do espaço
cultural da poesia

Disse por fim
para todos os presentes
que um país só vai pra frente
se trabalhar todo dia

Estava certo
de que tudo o que eu dizia
representava a verdade
pra todo mundo que ouvia

Foi quando um velho
levantou-se da cadeira
e saiu assobiando
uma triste melodia

Que parecia
um prelúdio bachiano
um frevo pernambucano
um choro do Pixinguinha

E no salão
todas as bocas sorriram
todos os olhos me olharam
todos os homens saíram

Um por um
Um por um
Um por um
Um por um

Fiquei ali
naquele salão vazio
de repente senti frio
reparei: estava nu

Me despertei
assustado e ainda tonto
me levantei e fui de pronto
pra calçada ver o céu azul

Os estudantes
e operários que passavam
davam risada e gritavam:

"Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!"

terça-feira, 29 de julho de 2008

Musas de... alguma estação

É... acho que elas nâo merecem ser, assim... musas de qualquer estação...

Mas elas foram musas por, ao menos, um período. Michelle Philips, ai em cima, foi uma das vozes do Mamas and the Papas. Depois, teve a glória de fazer parte do elenco do glorioso M.A.S.H., de Robert Altman. E depois, sumiu...

Debbie Harry foi a vocalista do Blondie, e era uma figura interessante... saiu pra carreira-solo, teve um certo sucesso e mais recentemente, tentou um revival da banda seminal, mas... o tempo já havia passado.

Nina Hagen era punk escrachada, uma figuraça. Acho que começou sua decadência quando veio ao Brasil e gravou com o Supla. Hoje? Sei lá...

Sinead O'Connor, carequinha ousada - lindo rosto, voz privilegiada e tipo mignon maravilhoso. Em atitude corajosa e inusitada, abandonou a carreira, postou uma mensagem de despedida em seu site: 'Não me procurem mais; se me virem na rua, me respeitem - não peçam autografo, não me encham o saco! Não sou mais artista'

E a islandesa Bjork segue na ativa, é claro, mas... o impacto de sua figura iconoclasta... nunca mais.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Deu na Folha


Coluna da Mônica Bérgamo de hoje:

Ao ter acesso ao relatório dos grampos da Operação Satiagraha, ainda na prisão, o ex-prefeito Celso Pitta ficou decepcionado com seus amigos do escritório de Naji Nahas, que também estavam detidos, por causa do apelido que inventaram para ele. 'Pô, vocês me chamavam de jabuticaba!', disse. 'Pitta, nós estamos presos e você está preocupado com frutas', respondeu um dos funcionários de Nahas, mudando logo de assunto.


Jabuticaba não é aquela frutinha preta por fora e branca por dentro? Ah, sei...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Teatro sim! Por que não??


É meio difícil explicar, mas conheço muita gente que 'não gosta' de teatro. Tem preguiça, preconceito ou simples implicância, sei lá. E falo de amigos muito próximos, gente bacana, antenada, inteligente; mas que simplesmente não vai ao teatro, há anos! Para estes e também aqueles que gostam e frequentam, aí vão duas recomendações. A primeira é 'A Reserva', texto leve de Marta Góes com Irene Ravache no papel principal, e mais Patrícia Gasppar (pois é, com dois pês...) e Evandro Soldatelli ao seu lado no palco do Teatro Cosipa, no Jabaquara. Patrícia é minha irmã...

A outra, que vi ontem em 'avant-premiére', estréia oficialmente neste final de semana no teatro do Hotel Renaissance. Trata-se de 'A Alma Boa de Setsuan', texto clássico de Brecht com Denise Fraga como protagonista e um elenco que reúne craques como Ari França e Cláudia Melo, além de cenários, figurinos e toda a ambientação, de muito bom gosto e criatividade. As duas montagens, com certeza, valem a pena. Fora, preconceito! Vamos ao teatro!!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Uma grande resposta



Ter um negro na presidência dos EUA será um avanço espetacular. Obama Barack, agora candidato oficial, já adotou um discurso mais conservador e à direita, certamente no intuito de ganhar a confiança do eleitor médio norte-americano - aquele ignorante, hipócrita, moralista e religioso da pior espécie. Política tem esse lado 'merda' mesmo... Continuo torcendo pela vitória dele; não só porque é evidente que até o urso polar do zoo de Washington seria melhor presidente do que o atual ocupante da Casa Branca, mas principalmente por aquilo que Obama pode representar em termos de avanços em várias áreas, muito além da grave e importante questão racial. Mas ele tem pisado na bola - isso é verdade. Em recente - e rara - declaração sobre o Brasil, disse que 'a Amazônia é muito importante para que seja só dos brasileiros'. Sobre este tema, a Mara, do blog http://levesolto.blogspot.com/ me enviou o excelente texto abaixo, transcrição de uma resposta do ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador Cristóvam Buarque, à uma questão feita por um jovem americano sobre a internacionalização da Amazônia. Pedia que ele respondesse como 'humanista' e não como 'brasileiro'. Isso aconteceu em Nova York, em setembro de 2000, durante encontro do State of the World Forum. Mas bem poderia ter sido agora. Vejam só:

"De fato, como brasileiro, eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada ela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo,deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque, eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores, do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo, em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida, para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como um patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. E só nossa!"

terça-feira, 15 de julho de 2008

Idiota total. E ótimo!


Ontem fui ver 'Agente 86', a refilmagem da histórica série de TV criada por Mel Brooks e Buck Henry e apresentada originalmente entre 1965 e 1970. Steve Carrell, no papel tornado célebre por Don Adams, está perfeito como o agente secreto trapalhão e ao mesmo tempo, genial; e só a deliciosa Anne Hathaway, como Agente 99 (na série, interpretada por Barbara Feldon), já valeria o filme. Carrel e Alan Arkin (que faz o Chefe) já tinham arrasado em 'Little Miss Sunshine', enquanto Hathaway despontou para o sucesso em 'O Diabo Veste Prada'.

E em meio a algumas cenas muito bem sacadas, destacam-se também as ótimas participações de Bill Murray (como o 'Homem na Árvore') e de James Caan, como um estúpido e alienado presidente dos EUA (claro que não se trata de mera coincidência...).

















Para os fãs da série de TV (hoje também 'históricos', hehe...), há ainda a cabine telefônica-elevador, o cone do silêncio, e o insuperável sapato-fone. 'Agente 86' é um filme totalmente idiota. E hilariante. Exatamente como deveria ser.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Escorregão

Frase de Tarso Genro, Ministro da Justiça:

"Vai ser difícil ele (Daniel Dantas) conseguir provar a sua inocência".

Ué... não é o Estado que precisa provar que o cara é culpado?