segunda-feira, 27 de julho de 2009

Uma flor...


... para Sergio Viotti, grande ator que se foi no sábado.

Não vou aqui falar dos seus trabalhos, de sua história no teatro, no cinema e na televisão - deixo essa tarefa para os especialistas da área.

Prefiro agora, louvar o ser humano que foi Sergio Viotti.

Ao lado de Dorival Carper (à direita na foto acima), formou um dos casais mais longevos que conheci.

Os dois, símbolos absolutos da elegância, da delicadeza, da fineza de caráter, da 'alta cultura' no melhor sentido que esse termo possa ter.

A erudição exalava daqueles dois, mas sem nada de arrogância.

Acima de tudo e de todos, a personalidade tranquila e a alma generosa de Sergio e Dorival se impunha com cativante naturalidade, como nunca senti em nenhum outro casal.

Amor, sem dúvida.

Beijos para Sergio e Dorival.

UPDATE: Agrego o sensível e bem informado post do ator, escritor e amigo Alberto Guzik (cujo blog está linkado aí ao lado):

não anotei ontem, por triste que estava, a morte de sérgio viotti. foi um dos mais finos e sofisticados atores com que contou o teatro brasileiro na segunda metade do século 20. inteligentíssimo. autor de bons livros, como uma primorosa biografia da grande estrela dulcina de moraes. excelente intérprete de shakespeare. um ser de charme e conversa irresistíveis. sua morte é mais uma perda a ser lastimada num ano de mortes sucessivas de grandes artistas. viotti deixa em mim a lembrança de muitos momentos memoráveis, mas talvez a mais encantadora de suas invenções tenha sido "vamos brincar de amor em cabo frio", que ele escreveu em 1965, para sua musa dulcina. vi o espetáculo no extinto teatro das nações, com dulcina e jardel filho. era uma brincadeira inteligente e muito tropical com o musical americano, que estava entrando no brasil com muita força naquela época, assim como acontece de novo agora. emocionante pensar em tudo que viotti fez, em tudo que produziu e apresentou. mas aquele frescor, aquela alegria de "vamos brincar de amor", uma espécie de marivaux à carioca, capturavam seu espírito ensolarado, apaixonado pela vida, seu humor luminoso. adeus.

10 comentários:

googala.opsblog.org disse...

dos bons.

anna disse...

qualquer maneira de amor vale a pena. só quando for desse tipo.

vc deveria ter escrito o óbito dele na fsp. não se fala nada do casal.

Patty Diphusa disse...

Imagino que a dor de Dorival não deve ser nada fácil.

Bjs

Lord Broken Pottery disse...

Amplio um pouco a fala da Anna: "Tudo vale a pena se a alma não é pequena".
Beijos gerais

peri s.c. disse...

Qual a estranha receita que produz esses seres com " elegância, delicadeza, fineza de caráter, com 'alta cultura' no melhor sentido que esse termo possa ter."
Pessoas raras.

Neil Son disse...

dos melhores, guga.

Neil Son disse...

não dava pra imaginar um sem o outro, anna.

Neil Son disse...

mas ele é um cara tão cabeça boa, patty, que tenho certeza que já vinha se preparando há um tempo pra isso.

Neil Son disse...

um pessoa sempre vai bem nessa hora, né lord? aliás, a qualquer hora.

Neil Son disse...

cada vez mais raras, peri. e por isso, cada vez mais especiais.