terça-feira, 17 de novembro de 2009

Guitar Heroes (6)


Conheci a música de Pat Metheny há muito tempo, quando participei do lançamento, no Brasil, do fantástico selo europeu ECM. O pacote inicial da gravadora, naquele longínquo 1980, incluía ‘American Garage’, do Pat Metheny Group e ‘New Chautauqua’ – álbum solo e acústico do grande guitarrista. Um ano depois, tive a sorte de conhece-lo pessoalmente, no Rio/Monterrey Jazz Festival, que trouxe ao Maracanãzinho nomes como Weather Report, Chaka Khan e Stanley Clarke. Me lembro quando, assistindo ao lado do embevecido Pat à inspirada apresentação do show ‘Dança das Cabeças’, com Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos, ele me disse: ‘Tinha certeza de que veria aqui um show do meu ídolo Baden Powell. Por que ele não está na programação do festival, em seu país?’ Respondi com a pérola do Aldir Blanc: ‘O Brasil não conhece o Brasil; o Brasil tá matando o Brasil...’

Nascido em 12 de agosto de 1954 numa cidadezinha do estado norte-americano do Missouri, Patrick Bruce Metheny é um dos poucos músicos a conseguir manter, por décadas, uma legião de fãs e uma quase unanimidade de crítica, trafegando do jazz tradicional ao contemporâneo, com pitadas de rock progressivo, latinidades várias e um viés meio bossanova. Tudo junto e pontuado por um estilo geralmente suave e elegante na execução da guitarra. Já foi acusado de fazer ‘música de sala de espera de consultório de dentista’; mas cada vez que me lembro disso (geralmente quando estou em uma sala de espera de consultório de dentista), penso: ‘Que bom se tocasse agora alguma coisa do Pat Metheny...’

Ele surgiu em 1975, logo de cara estreando na banda do grande vibrafonista Gary Burton. No ano seguinte já gravou seu primeiro álbum, ‘Bright Size Life’, ao lado de ninguém menos do que Jaco Pastorius, talvez o maior baixista de todos os tempos. Daquela época até hoje, Pat Metheny percorreu um longo caminho de grandes shows, gravações e colaborações, nos mais diferentes formatos. Destaco alguns momentos: ‘Offramp’(1982), ‘First Circle’(1984), ‘Still Life (Talking)’ (1987), ‘Letter from Home’ (1989) e ‘We Live Here’ (1995), à frente do Pat Metheny Group. Como artista-solo, o belíssimo ‘Secret Story’ (1992) e o surpreendente ‘Zero Tolerance for Silence’(de 1994, um disco só com distorções e ruídos guitarrísticos); e em colaborações várias, os duetos com Lyle Mays (‘As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls’1981), com John Scofield (‘I Can See Your House From Here’, 1993), com Charlie Haden (‘Beyond the Missouri Sky’, 1996) e com Brad Mehldau (‘Metheny/Mehldau’, 2006).

Pat Metheny é um mestre do instrumento. Foi um dos primeiros a usar a guitarra sintetizador Roland GR-300 e o complicado sistema que unia a guitarra so Synclavier. Além disso, toca a complexa guitarra Pikasso (foto), de 42 cordas transpostas e sobrepostas, feita especialmente pela lutier canadense Linda Manzer. As influências musicais de Pat, segundo ele próprio? Wes Montgomery (‘the biggest’), Jim Hall, Kenny Burrell, Joe Pass, Clifford Brown, John Coltrane, Eddie Van Halen, Milton Nascimento, Toninho Horta, Beatles, James Taylor, Joni Mitchell. No vídeo abaixo, uma grande performance de Pat Metheny, ao lado de Herbie Hancock, Dave Holland e Jack DeJohnette, em 1990 no Japão.

6 comentários:

anna disse...

nome super adequado para a guitarra.
é a cara do picasso!

e esse cara, o pat m., é demais mesmo.
"participou" de muita festa que demos naqueles tempos, sem d.j's e ipod's.
na base da bulacha mesmo.

anamoraes disse...

Eu amo esse cara! Como vc, Márcio, tive o privilégio de trocar palavras com ele durante o 1º Free Jazz no Hotel Nacional no Rio, nem sei em que século, e fiquei ali, babando com a suavidade e aqueles olhos maravilhosos...uauh! Tinha mais uns loucos ali como o Bobby McFerrin, que fez todo mundo cantar junto no corredor dos camarins, ninguém aguentava o calor que estava dentro dos camarins e ficamos todos no corredor em círculo, cantando até a produção pedir silêncio, pois tava vazando o som no palco, hahaha. Época memorável!E aqueles olhos..nossa!Apaixonei-me!
Bjs

Neil Son disse...

ah anna, aquelas festas...

Neil Son disse...

gostei do depoimento, aninha! e depois vc me explica o que seria um coredor em círculo. dá pra desenhar?

jayme disse...

Legal essa série. E o pai de tosdos eles, o cigano Django Reinhardt?

Neil Son disse...

jayme: tem o django e tem tb o wes montgomery. mas to tentando me limitar àqueles que tenham uma pegada mais rock...