quinta-feira, 9 de abril de 2009

E... boa Páscoa!


Sei que é um assunto um tanto pesado pra uma véspera de feriado, mas não dá pra deixar passar em branco: no domingo, com grande estardalhaço, a Folha de S.Paulo publicou uma entrevista com um ex-militante da ex-organização revolucionária dos longínquos anos 60, a VAR-Palmares. Na matéria, revelava-se um suposto plano para o sequestro do então Ministro da Fazenda, Delfim Netto. VAR-Palmares era a organização à qual pertencia Dilma Rousseff, atual Ministra da Casa Civil e virtual candidata governista à sucessão de Lula. O destaque ao ‘não-fato’ (afinal, nunca houve o tal sequestro) e a forçada de mão pra envolver a ministra na trama, dá uma idéia do que ainda virá por aí, na ‘grande imprensa’, pra tentar desmoralizar, desqualificar e demonizar Dilma. Em carta publicada hoje no Painel da Folha, Adriana Tanese Nogueira diz o seguinte:

“Lamento a parcialidade e o estilo ‘história em quadrinhos’ que a Folha usou na reportagem ‘Grupo de Dilma planejava sequestrar Delfim’, em que ele foi assim apresentado: ‘O sequestro do então Ministro da Fazenda, que sustentava a popularidade dos generais com crescimento de 9,5% em 1969’. Nessas poucas palavras, temos 1) que a ditadura militar produziu crescimento econômico, 2) que o ministro era responsável por ele e, consequentemente, 3) que esse bando de revolucionários eram uns idiotas (e fúteis), querendo prejudicar o próprio responsável pelo fantástico crescimento econômico brasileiro. É o mesmo discurso usado pela ditadura para justificar a violência institucionalizada. Mantém-se oculto que 1) o tal crescimento econômico teve um custo social, econômico e moral altíssimo, que arrastamos ainda hoje e 2) que Delfim Netto teve papel histórico como signatário do AI-5, o sinal verde para a linha dura militar praticar todas as atrocidades do período mais autoritário da nossa história. Banalizar a história é uma forma de servir a antigos senhores”.

Da minha parte, acredito que a tentativa de demonizar a ministra tenha falhado na própria edição de domingo da mesma Folha, que também trazia uma entrevista com a própria. Brilhante entrevista, que só fez reforçar a certeza do meu voto para a eleição presidencial que está chegando. Destaco o trecho abaixo:

FOLHA - No Rio, a sra. acompanhou a fusão e acompanhou o racha [da VAR] em Teresópolis.
DILMA - Na minha cabeça, eu só lembro que a gente conversava e discutia muito, debatia. Tinha uma infraestrutura complexa porque a gente não saía de lá, não podia aparecer. Bom não era. Mas, naquela época, você achava que estava fazendo tudo pelo bem da humanidade. Nunca se esqueça que a gente achava que estava salvando o mundo de um jeito que só acha aos 19, 20 anos. Sem nenhum ceticismo, com uma grande generosidade. Tudo fica mais fácil. Tudo fica mais justificado, todas as dificuldades. Você não ter roupa não tem problema. Às vezes, andava com uma calça xadrez e uma blusa xadrez.

FOLHA - A sra. faz algum mea-culpa pela opção pela guerrilha?
DILMA - Não. Por quê? Isso não é ato de confissão, não é religioso. Eu mudei. Não tenho a mesma cabeça que tinha. Seria estranho que tivesse a mesma cabeça. Seria até caso patológico. As pessoas mudam na vida, todos nós. Não mudei de lado não, isso é um orgulho. Mudei de métodos, de visão. Inclusive, por causa daquilo, eu entendi muito mais coisas.

FOLHA - Como o quê?
DILMA - O valor da democracia, por exemplo. Por causa daquilo, eu entendi os processos absolutamente perversos. A tortura é um ato perverso. Tem um componente da tortura que é o que fizeram com aqueles meninos, os arrependidos, que iam para a televisão. Além da tortura, você tira a honra da pessoa. Acho que fizeram muito isso no Brasil. Por isso, minha filha, esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode, não. Você não sabe o que é a quantidade de secreção que sai de um ser humano quando ele apanha e é torturado. Porque essa quantidade de líquidos que nós temos, o sangue, a urina e as fezes aparecem na sua forma mais humana. Não dá para chamar isso de ditabranda, não.

14 comentários:

Apenas um cidadão disse...

Muitas vezes penso que admiro Dilma Roussef e alguns políticos como RAul Pont (RS). Mas, quando lembro do aparelhismo truculento e medíocre do PT, do qual fui uma das muitas vítimas, me pergunto como Dilma e Raul permanecem neste partido. Na verdade, depois de ter trabalhado e vivido em Brasília, não acredito em nenhum partido e, muito menos, em políticos. São todos podres!

anna disse...

prá vc tb!

Neil Son disse...

cidadão: se vc ler o post novamente, verá que não citei o PT em momento algum; e essa generalização apressada (todos os politicos são podres) é o primeiro passo, a primeira justificativa para a instalação de regimes de exceção. vade retro!

Neil Son disse...

annannannanna...

peri s.c. disse...

Neil
Disseste-o ( escreveste-o ? ) bem : " virtual candidata ".
Aguardemos para ver se emplaca sua candidatura, Aécio age nas sombras.
Estão se esforçando, ela já está com uma invejável(?) quilometragem de exposição : em palanques e de papagaio de pirata do sr. presidente.
Puseram até um berimbau nas suas mãos para a pose para os fotógrafos, aguardo ansiosamente o cocar , para torná-la "arguém como nóis", eh, eh.
Difícil vai ser provar para a classe média, que ela na sua juventude não comia criancinhas ( gastronômicamente falando, claro ).

GUGA ALAYON disse...

è, peri. tão difícil como foi com o Lula. Não faria prognósticos...
abç

Neil Son disse...

peri: com essa oposição incompetente e a esperteza do lula, considero a eleição do dilma, quase uma moleza.

Neil Son disse...

pois é, guga, pois é...

peri s.c. disse...

Neil
Não abra o champagne antes do tempo, muitos flutes vão ainda rolar ( e quebrar ) por baixo da ponte.
Se transferência de voto desse sempre certo, todos nós teríamos casado com a(o) "preferida"(o) por nossos papais e mamães.
Quanto a esperteza do Lula, algo como a "Lei do Gerson" aplicada à política, né não? Deu no saco.

Patty Diphusa disse...

Neil
Gostaria de ter esse otimismo de considerar que a eleição da Dilma será uma moleza. Não acho, apesar de considerar a oposição uma incompetência até para estabelecer debates importantes e oportunos para o país. Mas na hora do pega, fica espeeerta. Aquela esperteza do mal, não a que é atribuída ao Lula. Pelo menos não por mim.

Bjs

Anônimo disse...

LUNATICOS

Marina Morena disse...

Neil, a Fols deu um erramos gigantesco no sábado, vc viu?
Pena que o erramos não teve chamada de capa...

Neil Son disse...

patty: olha o update... com o tratamento de câncer da dilma, a eleição dela ficou até mais fácil.

Neil Son disse...

marina: o episódio todo escancara, mais uma vez, a cara mais feia e lamentavel desse que é o jornal mais lido do país e que, ao mesmo tempo, não passa de um jornaleco.