terça-feira, 28 de abril de 2009

Ora direis, ouvir estrelas...


Acho que esse post vai parecer 'matéria paga', mas não é...

O seguinte: acaba de ser lançado no Brasil esse aparelho aí em cima, que parece levar à estratosfera o conceito de tudo-em-um, música-em-qualquer-lugar, etc,etc. Ao adquirir o bichinho, que atende pelo pomposo (e algo ridículo) nome Nokia 5800 Comes With Music, pode-se baixar, pelo celular ou pelo computador, uma quantidade absurda de músicas ('milhões', promete o fabricante). Os downloads podem ser feitos pelo período de um ano, gratuitamente.

Vamos à tecnologia: o Nokia 5800 parece um iPhone aperfeiçoado. Tem som estéreo de alta fidelidade, equalizador gráfico, cartão de 8GB de memória para armazenar as faixas em diversos formatos de música e entrada de 3,5 mm para fone de ouvido padrão ou caixas acústicas. Já vem com som surround, acesso a e-mails e dá até pra acessar o You Tube diretamente do aplicativo instalado no aparelho, além de criar e editar vídeos e fotos.

O Brasil é apenas o sexto país do mundo (depois de Reino Unido, Cingapura, Austrália, Itália e Suécia) a receber o aparelho e os serviços a ele acoplados. Pra isso, a Nokia fechou acordos com as grandes gravadoras, com selos independentes e o escambau, disponibilizando um catálogo de músicas internacionais e nacionais, de abrangência impressionante. Ou seja: talvez na base do 'sem querer querendo', o Nokia 5800 propõe um novo modelo de negócios pra tentar resolver a até agora insolúvel questão do download gatuito, direitos autorais, pirataria, etc.

É claro que a palavra que encerra o primeiro parágrafo desse post - 'gratuitamente' - é uma forçação de barra, uma expressão marqueteira. Não existe 'gratuito' nessa história. Não conheço, evidentemente, o teor desses acordos da Nokia com gravadoras e selos, mas envolve dinheiro, é lógico. E também não sei o preço do telefone (opa! smartphone, por favor!) e nem o valor do minuto ou da banda consumida de internet pra fazer os 'milhões' de downloads, mas juntando tudo isso, é claro que todos vão ganhar dinheiro; e nós, vamos pagar.

É lógico que não acho ruim e nem injusto, mas... me incomoda um pouco essa certa 'banalização' da música. Era legal entrar numa loja de discos e fuçar velharias e novidades, era bacana esperar pelo novo lançamento do seu artista favorito, era incomparável curtir as capas dos LPs (e até dos CDs), era legal apreciar o 'conceito' de um disco como um todo, e não apenas uma ou outra faixa, isoladamente. Tudo isso, já era.

20 comentários:

anna disse...

uau, smartneil, arrasou!
post de tecnologia antropológica!

anna disse...

e ele parece de primeira um radiorelógio, que acho nem se usa mais né?

peri s.c. disse...

Não me sentiria à vontade andando pelas quebradas ou parando num semáforo com um aparelinho de R$2.000 e tantos reais enfiado no bolso ...

Márcia W. disse...

Neil,
times have changed since the puritans got a shock etc...
o lado bom da coisa é que a gente não precisaria mais se aborrecer negociando com o gerente daquela tal ilha deserta que (antigamente) só deixava levar UM disco e UM livro.

franka disse...

legal que dá pra carregar a chave do carro e de casa no cordãozinho.

Patty Diphusa disse...

Bom, então tá. Todos a bailar.

Bjs

disse...

honestamente, neil? só de pensar em aprender a usar um "rádio relógio" desses me dá uma preguiça danada!

Neil Son disse...

tecnologia antropológica é ótimo, anna! vou adotar essa!

Neil Son disse...

nem eu, peri. mas o barato é que o bicho funciona dentro de casa - ou em qualquer lugar - como aquelas tralhas que a gente chamava de 'aparelho de som'. basta acoplar umas caixinhas (ou caixonas) e pronto!

Neil Son disse...

é mesmo, marcia. a indefectível pergunta 'que livros e discos vc levaria pra uma ilha deserta?' perdeu totalmente o sentido!!

Neil Son disse...

para com isso, franka! o negócio já tem 1001 utilidades e vc ainda quer agregar mais penduricalhos?

Neil Son disse...

porque "nasci, nasci para bailar", patty!

Neil Son disse...

brasileiro odeia manual, né bê? eu tb, não tenho a mínima paciência...

Júlio Bernardo disse...

Uma das minhas metas pra esse ano é comprar uma vitrola e discos de vinil!
Nada contra a super tecnologia, apenas não é para mim.
Texto muito bem escrito, como sempre.
Abraço!

Anônimo disse...

Com o material que você tem,abra uma loja de vinil.A "ViNeil".

Abraços

Günther.

Neil Son disse...

julio: com essa onda de djs, os toca-discos (de lps) voltaram a se valorizar. e o som tem uma profundidade e uma 'naturalidade' jamais alcançada pelo cd.

Neil Son disse...

haha, excelente, gunther!

jayme disse...

Neil, tem 33 e 45 rotações? Admite fita cassete? Ou só CD mesmo?

Neil Son disse...

jayme: nem cd, nem k7, nem 33, nem 45. a fila andou, meu caro.

GUGA ALAYON disse...

anna e Bê, acho que a foto que tá ruim(ou de propósito), mas o dito cujo não pode ser maior que um celular. Nada aumenta.