
Sexta-feira, noite chuvosa, ingressos grátis pro Cinemark. Cinema de shopping, só mesmo na faixa. Assim, lá fui eu, decidido a ver 'O Curioso Caso de Benjamin Button’, aquele do Brad Pitt como bebêvéio. Não deu: apesar de chegarmos com meia-hora de antecedência, a sessão já estava lotada. Mas já que estávamos ali, decidimos ver outro filme. Entre as pobres opções disponíveis, a melhorzinha nos pareceu ‘Australia’, com Nicole Kidman e Hugh ‘Wolverine’ Jackman nos papéis principais e direção de Baz Luhrmann, o mesmo de ‘Moulin Rouge’ (filme interessante e original, além de visualmente deslumbrante).
Mas ‘Australia’ é péssimo... um 'pastel de vento', bonito por fora e vazio por dentro. Além do mais, interminável, com suas quase três horas de projeção. Aparentemente, o tal do Luhrmann resolveu colocar tudo na produção: ‘Australia’ é um romance, mas é também um drama, um faroeste, um filme de aventura e um épico de guerra. Quer ser tudo, acaba não sendo nada. Salvam-se algumas cenas de paisagens australianas, belamente fotografadas, uma rápida porém linda imagem da manada de cangurus pulando em velocidade, a cena do estouro do gado correndo em direção ao precipício (meio copiada aliás, do último King Kong), e a participação de um velho ator aborígene como King George.
É muito pouco. Pra completar, não há ‘química’ entre o casal Kidman/Jackman (ou nenhum dos dois sabe beijar, sei lá...), os personagens são inverossímeis, a história não se sustenta, há erros ridículos de continuidade e a parte final (pra quem aguentar chegar até lá), com as cenas de guerra, usa efeitos toscos. Dá a impressão que os produtores perderam a paciência com o diretor e cortaram a grana no final da produção, vai saber...
Resumindo: fuja desse filme. Melhor ficar em casa, caminhar pelo bairro, dormir, jogar conversa fora no boteco, qualquer coisa.