sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Musas de Qualquer Estação


Nascida em Cleveland no dia 14 de agosto de 1966, Halle Berry foi cheerleader, foi Miss Ohio, foi modelo e foi figurante de séries de TV. Despertou a curiosidade de Hollywood ao viver uma viciada em crack no ótimo Jungle Fever, de Spike Lee, em 1991. Para o papel, viveu duas semanas com os homeless barra pesada de Nova York, sem tomar banho e repartindo com eles o que cada um coletava nos latões de lixo da cidade. Depois disso, foi sua beleza que chamou a atenção do público em Flintstones (de Brian Levant, 1994); mas o talento como atriz só foi reconhecido a partir do ano seguinte, quando co-estrelou com Jessica Lange o drama Losing Isaiah, de Stephen Gyllenhaal.

Em 1999, Halle Barry representou na TV americana a biografia de Dorothy Dandridge, primeira atriz negra a ser indicada para o Oscar de Melhor Atriz; e curiosamente, Halle foi a primeira negra a ganhar tal prêmio, em 2002, por sua atuação em Monster’s Ball (de Marc Forster). A partir disso, seu cachê aumentou, mas o mesmo não se pode dizer da qualidade dos filmes em que participou. Como destaques, refez a clássica cena bondiana, imortalizada por Ursula Andress (aquela, saindo do mar) em ‘Satânico Dr.No’, fez uns dois ou três X-Men e ainda, Catwoman, em 2004. O filme é péssimo, mas Halle Berry como Mulher-Gato é um arraso de sensualidade…


Halle Berry é diabética e surda de um ouvido (por conta de agressões sofridas de um antigo namorado, nos anos 90). Mas tem senso de humor: foi a única atriz que ganhou o Troféu Framboesa, de Pior Atuação do Ano (por Catwoman), e teve a a coragem de ir receber o prêmio. Em seu discurso de ‘agradecimento’, mandou essa: "Thank you and I hope to God I never see you guys again". Halle Berry está em seu terceiro casamento e acaba de dar à luz sua primeira filha, Nahla Ariela; desde então, mudou-se para o Canadá. Engajou-se ferrenhamente na campanha de Barack Obama à presidência e sobre o tema black, declarou o seguinte: “Negritude é um estado de alma e eu me identifico com a comunidade black. Principalmente porque percebi, desde muito cedo, que quando eu entro em qualquer lugar, as pessoas vêem uma mulher negra, com todos os estereótipos – para o bem e para o mal – que estão associados a essa imagem. E quando me olho no espelho, eu não vejo uma mulher branca, e sim uma negra. Isso apesar da minha mãe ser branca. Acho que a aceitação disso gerou orgulho; e esse orgulho tornou a minha vida menos difícil”.

17 comentários:

anna disse...

acho estranho sentir orgulho de algo que somos e do qual não fizemos nada para ser. como por exemplo a etnia, a aparência.

entrou entrou na fila da beleza umas 5 vezes. é sem dúvida uma lindíssima mulher.

boa atriz, ainda não sei. nenhum de seus personagens até hoje me tocaram.

Patty Diphusa disse...

Estava pensando nela ontem quando vi o trailer do novo 007. Em algum momento ela deve ter dito, e eu fui bond girl com o Pierce, hem. Fala sério.


Bjs

Gabriel Rocha Gaspar disse...

Anna...

Por onde começar? Por 1500, talvez? Tá, vou começar por 1500. Porque é 1500 que começa a fazer sentido o tal orgulho negro. Isso porque o povo negro foi escravizado e trazido para as Américas, bordo de navios de carga que previam a perda de 30% da mercadoria em média. Por isso, os navios eram sempre superlotados com 30% além da carga máxima. O que aumentava a taxa de mortalidade mas, com sorte, aumentava os excedentes também e, conseqüentemente, os lucros.

Chegamos em uma terra absolutamente inóspita para um trabalho que previa um máximo de 10 anos de vida útil. Sim: um escravo morria, em média, dez anos depois do início de seus trabalhos no campo.

Nossa cultura foi arrancada na raiz, a começar pela língua: os escravos eram misturados a negros de outras regiões da África para evitar qualquer tipo de comunicação que não fosse em português. A religião foi proibida, bem como a música e a dança.

Quando a escravidão "acabou", os negros foram atirados às ruas, sem qualquer tipo de indenização. Não foi uma abolição, foi uma demissão em massa. Mesmo assim, sobrevivemos.

Hoje, temos o samba, a capoeira, o jazz, a comida, as danças regionais, a literatura (até Machado de Assis era negro), temos tudo. O Brasil é negro - a América é negra. As palavras que usamos são negras, tudo nosso é negro. Então, o orgulho não é do que somos, mas do que fizemos para sobreviver. E, mais do que isso, o que fizemos para que nossa cultura sobrevivesse. O orgulho negro é o orgulho de um instinto ancestral de sobrevivência que fez com que os negros, que vieram para cá para trabalhar dez anos e morrer, modelassem a cara das colônias, cultural, social e politicamente. Muito precisou ser feito para que pudéssemos sobreviver. Não foi um acaso nascermos negros; foi o resultado de uma luta. Eu tenho orgulho dessa luta. Eu tenho orgulho negro.

anna disse...

gabriel, o que me incomoda é o uso da expressão "orgulho de ser"... orgulho de ser gay? de ser hetero? ser branco? ser negro? de ser mulher? de ser homem?

por algum motivo a expressão me passa, nas entrelinhas, uma sensação de discriminação.

talvez, gabriel, seja só uma questão puramente semântica.

tenha a certeza que não sou cega a história antiga e recente do povo negro, assim como a das mulheres que ainda nesse século são mortas por terem sido estupradas, ou incriminadas por terem feito aborto.
assim como me mata ver o exército de mendigos dormindo pelas calçadas do meu bairro.

queria entender porque vc fala “saímos” ,"fomos” ... vc é brasileiro assim como eu, uma descendente de europeu com caboclo. somos a mistura de índios, negros e europeus. isso sim me orgulha, termos nos tornado um único corpo chamado "brasileiro".

temos que nos envergonhar é do preconceito, em todas as suas diabólicas facetas.

peri s.c. disse...

Linda.
Grande atuação em Monster's Ball. Aí o Oscar e depois um monte de tranqueiras ... me faz lembrar a frase de Alan Arkin ( que ganhou por Little Miss Sunshine, mas seu grande filme foi Ardil 22, alguém tem um copia aí para ceder ? )que cito de memória :
"ganhei o Oscar agora provavelmente vou ficar sem trabalho um bom tempo porque só virão péssimas ofertas em termos de qualidade". That's Hollywood .

Enfim, não temos a nano-milionésima visibilidade de quem ganha um Oscar, mas também fazemos muita porcaria para sobreviver.

Neil Son disse...

anna, a mulher-gato me tocou...

Neil Son disse...

olha patty, por um cachezinho de 5 milhoes de dolares até eu faria a cena do biquini - e nem precisava ser filme de james bond...

Neil Son disse...

anna e gabriel têm visões que se complementam - não hã certo e errado ali.

Neil Son disse...

peri: ótima declaração do alan arkin!

Anônimo disse...

Peri:
Ardil 22,também com o pai da labiúda,John Voight.Lembra-se?Grande filme.
Cruzei com a labiúda às vésperas do Ano Novo ,no ano retrazado,em Roma,na Prada(o diabo veste).A labiúda,é Angelina Jolie(é nome artístico).(É linda, mas os guarda-costas não).
Voight fêz: "Perdidos na Noite",
"Ardil 22","O Dossiê de Odessa",e,no momento e no horário não me lembro mais.Ah,fez porcarias como "Anaconda".
Humildemente, uma das minhas irmãs tem Ardil 22 em DVD. Abraços
Günther.

peri s.c. disse...

Günther
Para os que perderam esse : O filme é de 1970, época em que abríamos os olhos para as esquisitices do mundo.
Trata da loucura das guerras em pleno auge da guerra do Vietnã.
Mas é uma alegoria ambientada na 2ª G. Guerra, num esquadrão de bombardeios da Força Aérea, cuja base de operações é uma paradisíaca é árida ilha mediterrânea.
O tal Ardil 22 ( Catch 22 ), uma medida burocrática militar, é o que impede Yossariam ( Alan Arkin ) de conseguir sua baixa e fugir da guerra. Ele faz de tudo para parecer insano e ser considerado inapto para as missões. Mas é pego num beco (i)lógico sem saída : " Se eles não são insanos, eles estão naturalmente prontos para voar.Se eles são insanos, também estão prontos para voar, porque a guerra é uma loucura "
O filme é do Mike Nichols e no elenco, além do pai da Labiuda ( que fazia o "comerciante" do esquadrão ) : Orson Wells, Martin Sheen, Martin Balsan, Richard Benjamin e o Art Garfunkel, que fazia algumas incursões pelo cinema.
Uma coisa que não esqueço é da fotografia do filme, uma luz estourada, agressiva.

Se você puder conseguir uma còpiazinha da "fita", a Cinemateca P.S.C., agradece.

Gabriel Rocha Gaspar disse...

Engraçado você ter falado de estupro, Anna. Acabei de escrever um post sobre isso no Afroências. Passa lá: www.afroencias.blogspot.com.

Falo na primeira pessoa do plural porque sou pan-africanista.

E discordo que nossas visões sejam complementares.

Bjs.

Márcia W. disse...

Concordo com a discordância do Gabriel, viram?
Falar que se tem orgulho de ser preto, mulher, gay, imigrante, (preencha aí seu favorito) é apenas uma forma de resmuir um pouco da ópera. O texto é grande prá dedéu e fica chato ficar repetindo toda hora, e cansa, como cansa. Na palavra orgulho está implícito o resto: me orgulho de ser .... e estar aqui falando com você opressor fdp, que talvez se declare e se sinta gente de bem, num tom cordial, de apesar de todas os preconceitos e bad vibes tô aqui como um ser humano vivendo minhas afetividades e dissabores, tentando trazer vocês pro lado bom da força, ahdesabafeipontocompontobr.
beijocas a todos

Neil Son disse...

gunther e peri: por coincidencia, assisti no sabado a um filme antigo com a 'labiúda' jolie: a tragédia GIA, biografia da pobre topmodel dos anos 80 que foi uma das primeiras mulheres a morrer de AIDS. o filme é apenas razoável, mas a labiúda tem atuação sensacional (principalmente nas cenas calientes de nu total, hehe...)

Neil Son disse...

gabriel e marcia w: e eu que só queria era ter feito um post de mulé gostosa, hahaha....

Márcia W. disse...

Márcio,
mermão, você achou mesmo que colocar aquela citação no final ia passar desapercebido da galera aqui? Rã-rã. Mulheres gostosas e que sabe das coisas geram as discussões mais inesperadas desde o tempo da
Lilith .

GUGA ALAYON disse...

Eu não sei se ela puxou o pai negro ou a mãe branca, mas se foi o negão, ele tinha um belo par de tetas. ahahaha