segunda-feira, 24 de novembro de 2008



Sou contra cemitérios.

Desperdício de espaço, ode à nossa própria vaidade, ao nosso inconformismo perante o destino que nos une.

Pouco têm a ver os cemitérios, no final das contas, com os mortos; são, muito mais, uma prova 'viva' e macabra da nossa pequenez - através dos que já foram, alimentamos a ilusão de sermos eternos.

Deveria existir uma lei que obrigasse a que fossem cremados todos os mortos: os recentes, os atuais e os já enterrados.

Daí, se procederia à reurbanização das áreas dos cemitérios e se faria uma 'reforma agrária', distribuindo-se lotes para os (ainda) vivos, para os sem-teto, para os excluídos, para os desvalidos e abandonados.

E ainda se acabaria com essa obrigação mórbida, lúgubre e inútil, de se visitar os mortos. Há certamente formas mais saudáveis e apropriadas para homenagea-los, reverencia-los, ama-los.

19 comentários:

Anônimo disse...

Poltergeist,Neil!
Fui.ôps(Não vou tão cêdo).
Tô fora.

Günther.

pecus disse...

Apoiado. Neil Son para vereador.

anna disse...

mas o dia dos mortos já num passou?

e vc que é mestre da escrita, "ama-los" não tem mais acento?

Lord Broken Pottery disse...

Neil,
Não sei se quero ser cremado. Sou calorento demais. Uma lápide, debaixo da terra, é mais fresquinha.
Grande abraço

googalamém disse...

Lord, só se for uma de esquina bem ventilada e face Norte.

Márcia W. disse...

Neil,

também optei por cremação. Caso vocês não saibam, tem que fazer uma declaração em cartório, carimbada, selada, juramentada se não, não rola. Pelo menos no Rio, mesmo que toda sua árvore genealógica, amigos, conhecidos, amantes ou casos testemunhem que é o que você sempre quis, sem a declaração, tem que R.I.P. no caixão mesmo...

Silvio Macedo disse...

Vou ser cremado.
Ainda mais agora que estão fazendo um aqui em Jaguariúna!
É o "pogresso"!

peri s.c. disse...

- Pela cremação geral e irrestrita.
- Daí a lotear cemitérios são outros 500.Quem vai querer morar em local mal-( ou bem )-assombrado ? Argh.
- Prefiro o conceito dos silvícolas, que os consideram " tabu", chão sagrado.
- Legal a idéia de cemitério vertical, como o de Santos, vai-se de elevador para o céu. Ou distancia-se do inferno.
- Marcia, em SP, com declaração de dois parentes, possível providenciar o evento.

carol disse...

apoiado! E dia chegará em que os parentes não serão obrigados à penitência do velório, a noite inteira nos bancos de madeira a respirar o cheiro das flores que vão murchando. Conforto já para os que sofrem! Pelo fim do self-service das baratas! Neil vereador!

Gabriel Rocha Gaspar disse...

Tem um problema: todo mundo morre. E uma cremação emite CO2 pra caramba, além de desperdiçar órgãos que poderiam ser doados ou pesquisados. Então, o que se faria com a fumaça, em primeiro lugar? Porque se a gente for queimar todo mundo que já morreu e que vai morrer (ou seja, todo mundo), vamos emitir uma quantidade absurda de carbono na atmosfera.

Não sei se sou favorável à extinção dos cemitérios mas, sem dúvida, sou favorável à obrigatoriedade da doação de órgãos.

googalamém disse...

Gabriel, talvez seja menos CO2 que as emitidas pelas velas de alguns velórios.
A única coisa ridícula da cremação é aquele ritual fake que mais parece que vc está indo pro inferno e não para cima, além de vc ter que escolher entre um caixão de R$230,00 com madeira de reflorestamento bem simplinho ou uns de R$ 3.177,00 de mogno(?) com ornamentos bem rococós que nem vai ser queimado.
Há trouxas pra tudo.
Sobre órgãos, é um absurdo queimarem órgãos ainda vivos.

Neil Son disse...

bem... curioso como esse assunto desperta o blablabla da galera. nem planejava escrever sobre isso (além, nada do que escrevo aqui é ou foi planejado...), mas o tema, que já serpenteava na minha cabeça há tempos, foi despertado a partir de um post da lucia lá no frankamente. e gosto especialmente da frase que abre o post: "sou contra cemitérios". como assim? coisa mais non-sense, né? parece o mesmo que alguém dizer: "sou contra rodoviárias" ou "sou contra armários de cozinha", hahaha. e ò gabriel (sempre ele...) levantou dois pontos importantes: o CO2 e a doação de órgãos. é claro que as cremações (na minha 'proposta') ocorreriam somente após a retirada dos órgãos 'úteis'; e o CO2? não tenho a mínima base teórica pra falar a respeito. e anna: também não sei se com tantas idas e vindas gramaticais, 'ama-los' tem ou não acento... e poltergeist, gunther? no creo.

Gabriel Rocha Gaspar disse...

Amá-los tem acento! hahahahahaha Também não tenho base teórica nenhuma, Neil. Mas pensa: se for queimar tudo que é defunto... É muito defunto. Depois da revolta de Espártaco, na Roma Antiga, Gneu Pompeu mandou incinerar os cadáveres de quase 10 mil escravos e gladiadores, do lado de fora dos muros. Diz-se que a cidade ficou envolta em uma fumaça fedida e pegajosa por uma semana. Deve ser CO2 pra cacete!

peri s.c. disse...

Se o problema é o CO2, melhor proibir os churrascos.

Os chifrudos quadrúpedes são muito superiores aos chifrudos bípedes, temos mais cabeças de bois , passa dos 200 milhóes, que cabeças de brasileiros.
Além dos 900 milhões de cacarejantes galináceos, uns 35 milhões de porcinos ( fora os torcedores do Palestra ), 25 milhões de carneiros e afins. Inocentes coelinhos, são uns 550mil, isto é 590 mil, êpa, 640 mil, nossa! 720 mil ....
Seria um churrasco para acordo de Kioto nenhum botar defeito.

googalarashi disse...

viva o sashimi!

franka disse...

não sei o que é pior. vai lá no crematório ler o "passo a passo" de uma cremação. no final do processo (é tipo uma história em quadrinhos que tem numa das salas de espera da Vila Alpina) tem um desenho de uma betoneira manual para triturar os ossos e o que mais restar. assustei. me pareceu um processo mecânico demais pra uma hora tão triste.

franka disse...

aliás, neil, meu Deus, você é contra TUDO, menos contra essas horrorosas de qualquer estação? hahaha.

Neil Son disse...

não sou contra você, franka (só às vezes, hehe...)

Anônimo disse...

E o romantismo de atirar as cinzas ao mar?Aquilo volta com o vento e deixa todo mundo com a cara rebocada.Que nôjo.
Günther.
Günther