quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Achados de quinta... (feira)







Por certo tempo, escrevi sobre música em alguns jornais e revistas. Fiz críticas, reportagens, entrevistas, etc. E resolvi que colocarei aqui, periodicamente, trechos de algumas dessas matérias, que guardei há tempos e não sabia exatamente onde, mas que acabei de achar por acaso, nessa tarde de feriado chuvoso.

Começo então com um pedaço da entrevista com o excepcional guitarrista britânico John McLaughlin, criador da Mahavishnu Orchestra, entre outras coisas. Aqui, ele fala sobre a morte de Miles Davis (ocorrida dois dias antes da conversa), religião e rap. A matéria foi originalmente publicada pelo Jornal da Tarde em 02/10/91.



Como você recebeu a notícia da morte de Miles Davis?
- É difícil pra mim falar sobre isso... Toquei com ele e outros grandes amigos (Joe Zawinul, Wayne Shorter, Tony Wiliiams) há pouco mais de um mês em Paris, num show inesquecível que, graças a Deus, foi gravado em vídeo. Eu sabia que ele estava mal e liguei de Buenos Aires para o hospital, mas só consegui falar com o agente dele. Miles foi a grande força musical do século XX e me considero um privilegiado por ter sido seu amigo e compartilhado sua incrível energia criativa. Perdi alguém que amava muito, perdi meu pai.

Sua ligação com o plano espiritual sempre foi muito forte. Como você encara a morte e qual é a sua religião hoje?
- Não tenho mais nenhuma religião; apenas busco o meu aprimoramento como ser humano, tentando juntar humildade e orgulho. Humildade para me enxergar como apenas mais um entre bilhões e orgulho por minha condição de músico interessado em fazer o melhor possível. Quanto à morte, só posso dizer que acredito na perpetuação dos espíritos. De que forma, ninguém pode saber.

Na sua primeira visita ao Brasil, você disse que odiava rock e toda a música pop que tocava no rádio. Como você vê hoje o rap e a música feita por samplers?
- Acho que o rap e todo esse movimento negro das ruas é um fenômeno muito mais sociológico do que musical. Os rappers representam hoje o que Malcolm X ou os Black Panthers representavam para a juventude dos anos 60. Mas não creio que eles façam música.

12 comentários:

peri s.c. disse...

Neil
Ótima idéia essa de postar seus trabalhos.
E pode esticar o material, não confie nesta história que blog tem que ter textos curtinhos, se for interessante os inquietos leem tudo.
Hoje não tem a gostosa da sexta ?
abraço

Neil Son disse...

é mesmo, peri? me preocupo com essa coisa de posts longos, pq eu mesmo não tenho tempo e/ou paciência pra ler coisa muito longa na Internet... E qto à 'musa de sexta', hummmm, vamos ver, tá meio difícil hoje (to saindo agora pra uma viagem rápida).

anna disse...

se essa foto é de 91, ele agora deve tá veinho, né?

Ricardo Soares disse...

vim falar de um post anterior...bela lembrança a ana maria magalhães... meses atrás conversei um pouco com ela na tv cultura e fiquei pensando nas bobagens que pensavamos sobre ela naqueles idos e vividos...ela ainda é uma senhorinha muito charmosa...abs
ricardo

pecus disse...

Li em algum lugar que ele entrou no projeto fusion do Miles porque o Hendrix, escalado inicialmente, morreu.

Neil Son disse...

anna,a entrevista é de 91, mas essa foto é bem recente.

Neil Son disse...

ricardo: a ana maria, aiaiai, a ana maria... essa é uma mancha no meu passado. qquer dia te conto.

Neil Son disse...

pecus: essa história virou lenda; não se sabe ao certo se é verdade, mas acho difícil o hendrix, naquela altura da fama e no auge da carreira solo, passar a ser integrante de uma banda, mesmo que fosse a do miles davis...

franka disse...

nossa, o pé dele não é grande demais?

Neil Son disse...

também havia reparado nisso, franka, mas acho que é da foto. e dizem que o tamanho do pé (ou será da mão?) regula com o tamanho da 'ferramenta'. eita!!

GUGA ALAYON disse...

e ele nem toca com os pés...

Neil Son disse...

olha guga, o que ele 'toca' com os pés eu não quero nem saber...