
Lançamento do livro do André Midani, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. André é uma figura histórica do mercado do disco no Brasil (quando havia disco e mais que isso, havia mercado...). Dono de uma história rocambolesca que um dia ainda vai virar filme, André vagou menino pela Europa ao lado da família em uma carroça de ciganos, 'driblando' os nazistas. Sabe-se lá como (ainda não li o livro...), chegou ao Brasil e começou a trabalhar carregando caixas de discos. Apaixonou-se pela música brasileira e acompanhou tudo - muitas vezes como protagonista, ainda que no 'backstage': bossa nova, os festivais, elis regina, o tropicalismo, a jovem guarda, mutantes & ritalee, a volta dos baianos, o rockbrasileiro de titãs e lulu, tudo, tudo.
Foi presidente da Philips/Polygram e depois da WEA (Warner/Elektra/Atlantic), onde foi meu chefe. Figuraça, imprevisível, explosivo, engraçado, inteligente, de humor corrosivo e com atitudes e declarações no mínimo polêmicas e controversas. Mais recentemente, depois de se aposentar como presidente da Warner International, colocou muita grana em projetos sociais no Rio e produziu o 'Ano do Brasil na França' para o MINC de Gilberto Gil.
'Música, Ídolos e Poder: do Vinil ao Download' é o nome do livro de André Midani. Acho que não há ninguém, no Brasil, que poderia escrever com mais propriedade sobre esse tema.
Update: Caetano Veloso, que agora tem um blog bem interessante (http://www.obraemprogresso.com.br/), também comentou sobre o livro:
Estou lendo o livro de André Midani, “Música, ídolos e poder“, e estou impressionado. É um livro bom, escrito por um homem incrível, sobre uma vida improvável. Muito bonito o destino desse homem que eu amo tanto e que foi tão importante para mim. Independentemente disso, é um livro para ser lido por quem quer que se interesse por música no Brasil e tenha prazer em ver o assunto olhado de uma perspectiva não provinciana, de uma larga visão histórica. Da chegada dos aliados na Normadia aos downloads e aos piratas, uma personalidade singular, sofrida e curtida (nos dois ou mais sentidos) faz a gente aqui se sentir real, possuidora de um tamanho real.
19 comentários:
legal o nome do livro.
dá até um susto, porque há bem pouco tempo eu falava da rapidez de tempo entre o elepê e o dvd. agora é download!
hoje é dia do cemitério abrir as portas, heim, marcio. vai encontrar montanhas de fantasmas.
Marcio, o André Midani poderia ser chamado de Midas-ni, de tanta coisa que ele fez virar ouro, a começar dos Titãs do Iê-iê-iê. Eu diria que ele é o Aloísio de Oliveira que deu certo (não que o original não tenha dado, mas é boutique, comparado ao megastore em que Midani se transformou). O livro deve contar mil e uma histórias -- deve ser legal ter participado de algumas delas.
putz nem me fala anna, acho que vou com um colar de dentes de alho...
mas o midas-ni também tinha seu lado merdas-ni, jayme. testemunhei ele declarar em reunião da gravadora, que não ia investir mais um tostão em elis regina, porque a maior cantora do país, dali por diante, seria a baby consuelo.
Cacilda! Isso é que era visão de mercado.
Caetano "O magoei", tem usado muito o têrmo "provinciano", dissimuladamente,para atacar os paulistanos,USP,Folha de S. Paulo,etc.,não se esquecendo que Baby Consuelo,PéPeu,e cia eram os novos baianos. Muitas coisas seguiram, muito melhores,enquanto cor ria a barca.
Günther
Ele acertou em parte, durante algum tempo Baby foi genial, depois...
é jayme, o andré alternava visão de mercado com visão de merda... mas a primeira era mais constante, com certeza.
günther: caetano tem razão em boa parte, quando se refere aos paulistanos como provincianos... afinal, a maioria deles (paulistanos) 'fabricou' excrescências como jânio, maluf, pitta e agora... kassab.
hélio, pra mim, o melhor disco de baby foi o primeiro ('o que vier eu traço'). fez mais alguns razoáveis e depois se perdeu qdo começou a mergulhar no RÁ...
Deve ser uma caixa-preta importante da finada indústria do disco.
Precisamos de um líder à altura de Antonio Carlos Magalhâes? E apoio de dona Canô ?
Günther.
vou ler o livro, pecus, e depois digo o que achei; espero não me decepcionar...
não gunther, definitivamente não precisamos de um ACM; mas me recuso a votar no balofo-janota-direitista-dissimulado-malufista ex-secretario do pitta-sombra do serra-ex-pfl e atual demo.
Então vote em mim. Eu vou fazer na vida pública o que eu faço na privada! HE,HE,HE...
Günther.
Vamos conhecer o lado obscuro de determinadas carreiras, eh, eh
muito interessante esta dica do livro, muito interessante este blog. Eu nunca tinha entrado num blog pra ficar falando assim de um assunto sem qualquer interesse ou compromisso. Só participar, trocar, expressar.Nova experiencia.
Marina
Do meu recolhimento, devido à labuta, agradeço a dica!
abrs. Maína
vale a pena ler o livro, m.j. já to na metade e to gostando.
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