
Nestes tempos de sérias restrições orçamentárias, me sobrou a diversão noturna de 90% da população brasileira: a telenovela. Pois é gente, tenho assistido 'A Favorita', o folhetim global que vem logo depois daquela porcaria chamada 'Jornal Nacional'.
A tal novela possui todos os clichês do gênero, além da ridícula e recorrente piada de mau gosto da TV Globo, que adora mostrar uma estranha Sâo Paulo onde praticamente todos falam como se estivessem em Ipanema. Mas como quase tudo (menos os discos do Fagner ou do Oswaldo Montenegro), a novela também tem algumas coisas boas. Uma delas é a Patrícia Pillar no papel de cruel assassina.
Salvo engano, trata-se da primeira vez que a Sra. Ciro Gomes (putz, que mau gosto!) faz uma vilã. E vem se saindo a contento, explorando bem a sua beleza física para criar um personagem cujo olhar frio e cortante consegue ser estranhamente atraente. Chega a ser uma surpresa: afinal, a estréia de Patrícia Pillar como atriz foi um completo desastre.
Em 1983, sua carinha bonita foi vista pela primeira vez em 'Para Viver um Grande Amor', adaptação para o cinema, dirigida por Miguel Faria Jr., para 'Pobre Menina Rica', de Vinícius de Moraes & Carlos Lyra. Na produção, a atuação de Patrícia faria qualquer pessoa supor que o máximo que ela conseguiria, dali por diante, seria o papel de árvore em uma montagem infantil de Branca de Neve, em escola de bairro. Para se ter uma idéia, Djavan, co-protagonista (??!!) do filme, fez ali a sua estréia e, ainda bem, a sua despedida como ator - provavelmente por uma correta auto-crítica. E sua atuação é muito melhor que a de Patrícia Pillar. Mas surpreendentemente, ela conseguiu sobreviver à tragédia e hoje é uma atriz de currículo até respeitável, com participações elogiadas em filmes como 'Quatrilho' e 'Zuzu Angel', além de papéis televisivos bem feitinhos, como a Dra. Cris da minissérie 'Mulher'.
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Em 'Para Viver um Grande Amor' (que era, afinal, um musical), salvava-se a trilha sonora, com boas regravações para os originais de Vinícius & Lyra, além de inéditas - de boa safra - de Djavan e Chico Buarque. No filme, na hora da cantoria, Patrícia Pillar foi dublada por Olívia Byington - o recurso, mal disfarçado pela atriz e mal realizado pelo diretor, só tornava tudo ainda mais constrangedor. Ou seja, o filme tem todos os ingredientes para se tornar, em futuro próximo, um "cult", hehehe...
20 comentários:
É exemplo de superação pela persistência, auto-confiança e dedicação. Talvez não uma grande atriz, mas uma boa atriz.
Tem muita gente que só vai perceber a real vocação mais tarde. Eu fiz determinada carreira até os 37 e hoje tô a procura. Prefiro, apesar de tudo, minha condição atual. O problema é que a grana vai escasseando, mas a vantagem disso é não cair de vez numa letargia perigosa.
Difícil administrar o próprio tempo quando não se tem chefe, não é? Bjs.
Já escrevi lá embaixo: é Robin Hood e não se fal mais nisso. haha..
tb procuro minha vocação até hoje, sibila. e qto à pillar, será que ela já encontrou a dela? espero que a real vocação dela não seja a de 'mulher de político'.
com a crise da bolsa - a minha - me derrubou também, acompanho o folhetim televisivo.
o que me atraiu é que atores bonzinhos ou galãs estão quase beirando o inferno com seus personagens, como a pillar, o murilo benício e o ari fontoura.
e acontecem coisas inimagináveis. um cd importantíssimo para a trama é levado na cova dos leões sem antes tirarem uma cópia. e é lógico que os leões paparam ele.
quanto ao marido dela, eu não acho um mal negócio, náo.
Neil
Cortou a TV paga também? Não assisti a um capítulo até agora e não vi nem chamada. Então não sei como a moça do talento enroscado está se saindo.
Sabe a fase que achei ela mais bonita? qdo era caso do Ciro e tinha aquele olhar misterioso da "outra".
Deixa eu sair logo daqui que daqui a pouco vem chumbo grosso.
Bjs
essa musga, né anna, não me deixou com a paula, aí do post anterior...
paranga
Neil, só mais um teco.
Não sei pque liguei esse post a uma outra coisa, mas eu demorei pra entender o que quer dizer a sigla PPS (Puta que Pariu Soninha).
Bjs
Mas afinal, quem matou Salomão Hayala ?
marcio, querido
adorei o post. concordo, concordo! e é ótima a menção aos discos do o.m. e do f. como exceções à regra de que quase tudo em algo de bom. só uma correção (desculpe a chatice professoral, e desfaçatez minha em vir palpitar sobre música na casa do mestre). a partitura de 'pobre menina rica' é do vinicius e do carlos lyra. acho que é dessa trilha a 'minha namorada', não estou certo. se mudou a composição da peça pro filme, não sei. até porque não vi o filme, depois de tudo que falaram. mas no teatro as canções eram do vinícius e do lyra. gde abraço!!guzik
o ciro pode não ser um mau negocio pra pillar, anna, mas desconfio que ainda será um péssimo negócio pro brasil...
o olhar 'da outra' carrega significados e desejos inconfessáveis, patty. para o bem e para o mal.
parangolé: ela num tá aqui 'definida' como musa.
isso aí, patty: PPS!! PPS!!!!
peri: não sei quem matou o salomão, assim como tb já esqueci quem matou a odete roitman
nossa, tem razão, guzik!!! é mesmo vinicius e carlinhos lyra. vou já corrigir! pronto, já mudei! valeuaê, guzik!!
Eu acho Patrícia Pilar uma lindeza. Não vi o filme, mas imagino, pela discrição, que padece de um mal que era crônico no cinema nacional, o de precisar sempre de um auditório compreensivo. Não me lembro bem quem foi o crítico (acho que foi o Ruy Castro), que numa mesa de bar, ao comentar o fundamental "Memórias do Cárcere", de Nelson Pereira dos Santos, teria dito: "Nelson inaugurou um nova categoria no cinema brasileiro: a categoria 'filme'".
jayme: musical já é um gênero complicado - é difícil não cair no ridículo. imagine isso com um som péssimo e protagonistas amadores. imaginou? esse foi o 'pra viver um grande amor'.
Como vc é IDIOTA!
anônimo: se vc se identificar e, principalmente, dizer porque me acha um IDIOTA, a gente pode conversar,'na buena'...
Qual o problema co os discos do Oswaldo Montenegro e do Fagner?
anonimo: o problema dos discos do montenegro e do fagner é, simplesmente, o fato deles existirem. o fagner, reconheço, ainda tem algumas coisas boas, mas o montenegro... pfffff...
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